INCAPACIDADE EM INDIVÍDUOS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL: UM ESTUDO COMPARATIVO COM DADOS DO MDS-BRASIL
Classificação internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Funcionalidade. Hipertensão. Condições de Saúde.
Introdução: A HAS é caracterizada como uma condição crônica de saúde que acomete indivíduos de diferentes faixas etárias, etnias e de diversas condições socioeconômicas. Esse estudo preenche uma lacuna na literatura nacional ao investigar a relação entre funcionalidade e HAS em uma perspectiva populacional, utilizando um instrumento validado internacionalmente. Reforça-se a relevância de gerar dados locais para subsidiar ações de saúde pública voltadas à promoção da funcionalidade. Objetivo: Descrever e comparar os níveis de incapacidade entre indivíduos hipertensos e não hipertensos no município de Santa Cruz, RN, Brasil. Método: Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa, com delineamento transversal e de base populacional, realizado no município de Santa Cruz-RN. A pesquisa teve como população-alvo adultos com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos, com ou sem diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica (HAS). Os critérios de inclusão foram ser moradores da cidade com ≥18 anos e que consentiram em participar da pesquisa e os critérios de exclusão: foram questionários incompletos ou que houve dificuldade para responder. A amostra foi composta por 504 indivíduos, selecionados por meio de amostragem intencional e aleatória de domicílios, garantindo representatividade dos diferentes setores censitários da cidade. A coleta de dados ocorreu entre os meses de outubro e novembro de 2022, por meio de entrevistas domiciliares presenciais. Como instrumento de investigação, utilizou se o Model Disability Survey (MDS-Brasil), aplicado com o auxílio de tablets, permitindo a coleta padronizada de informações sobre condições de saúde, aspectos sociodemográficos e níveis de funcionalidade segundo os princípios da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Resultados e discussões: No que tange à caracterização sociodemográfica do grupo sem HAS, verificou-se uma maior prevalência do sexo feminino, totalizando 236 indivíduos (72,4%), enquanto o sexo masculino correspondeu a 90 participantes (27,6%). A média etária observada foi de 46 anos. Em relação à variável cor/raça, 119 indivíduos (36,5%) auto declararam-se brancos, seguidos por 156 (47,9%) que se identificaram como pardos, 43 (13,2%) como pretos e 7 (2,1%) como amarelos. Um número residual de participantes não soube informar ou declarou pertencimento a outra categoria de cor/raça.No que diz respeito à escolaridade, 110 participantes (33,7%) declararam possuir ensino fundamental incompleto, 69 (21,2%) relataram ter concluído o ensino médio e 37 (11,3%) afirmaram não possuir educação escolar formal. Quanto à renda mensal, a maior parte dos participantes (68 indivíduos; 20,9%) informou receber menos que um salário mínimo vigente (R$1.200,00). Os achados deste estudo indicam que indivíduos hipertensos apresentaram níveis mais elevados de incapacidade funcional nos domínios de mobilidade, funções corporais e atividades de participação quando comparados aos não hipertensos. Esses resultados corroboram investigações anteriores que demonstram a influência direta da hipertensão na limitação da funcionalidade, impactando a autonomia e a qualidade de vida. Observa-se ainda que fatores sociodemográficos, como idade avançada e baixa escolaridade, potencializam essas limitações, reforçando a natureza multifatorial da incapacidade. Conclusão: Tais resultados reforçam a concepção de que a HAS impacta negativamente múltiplas dimensões da funcionalidade humana, indo além dos aspectos clínicos e alcançando esferas psicológicas e sociais.