CONSTRUÇÃO DIALÓGICA DE UM GUIA EDUCATIVO SOBRE VIGILÂNCIA POPULAR EM SAÚDE DE BASE TERRITORIAL
Vigilância em Saúde. Participação Popular. Tecnologia Educativa em Saúde. Estudo Metodológico.Validação.
Este trabalho teve como propósito construir um material autoinstrucional enraizado no território capaz de articular saberes acadêmicos e populares em apoio a práticas de mobilização, cuidado coletivo e monitoramento participativo de saúde e ambiente. A metodologia não se limitou aos procedimentos formais de pesquisa, tendo em vista que ela se ancorou em um caminho vivido junto às comunidades. As atividades de campo realizadas previamente, como a oficina de articulação, os Círculos de Cultura, o mapa-falante e outras metodologias participativas, compuseram o próprio processo formativo que antecedeu a elaboração do guia. Essas experiências geraram insumos teóricos e práticos que orientaram a escrita, a iconografia e a linguagem do material. A validação por especialistas buscou não apenas qualificar o conteúdo educativo, mas também preservar a expressividade territorial e afetiva construída no diálogo com os movimentos sociais. Mais do que validar tecnicamente o material, o processo visou refletir sobre sua conexão real com a proposta central do projeto maior, evidenciar a produção da vigilância e da saúde conduzida pelo próprio povo e disponibilizar ferramentas que fortaleçam a autonomia e a emancipação comunitária. As apreciações dos especialistas resultaram em ajustes substantivos que ampliaram a aderência cultural, a clareza comunicativa e o potencial mobilizador do guia. Ao final do processo, reconheceu-se a validade do material, que obteve um IVC global de 0,80. A etapa participativa com o público-alvo confirmou essa direção, ao observar que retorno das comunidades indicou consenso favorável, demonstrando que o guia dialoga com necessidades concretas e apoia práticas coletivas de enfrentamento de problemas socioambientais. A reflexão teórica articulada na dissertação aprofunda dimensões de descolonização do saber, desafios institucionais e tensões que atravessam práticas participativas, além de discute a pedagogia crítica e afetiva de autoavaliação que acompanhou a construção do guia. Essa perspectiva permitiu compreender que a vigilância popular não se restringe ao monitoramento de situações de saúde, pois essa prática anima relações comunitárias, valoriza experiências locais e reafirma o território como espaço vivo de produção de sentidos, autonomia e cuidado. Em síntese, a dissertação contribui para o aprofundamento conceitual da Vigilância Popular em Saúde e disponibiliza uma tecnologia educativa validada com potencial para fortalecer processos de mobilização comunitária, como também contribui para qualificar práticas profissionais mais dialógicas, sensíveis às experiências dos territórios e orientadas pela ética da educação popular.