Banca de DEFESA: MARIA JULIANA DA SILVA ROCHA ARAÚJO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : MARIA JULIANA DA SILVA ROCHA ARAÚJO
DATA : 24/11/2025
HORA: 15:00
LOCAL: webconferência
TÍTULO:

ACESSO, CUIDADO COMPARTILHADO E PARTICIPAÇÃO DO PARCEIRO: A EXPERIÊNCIA DA GESTANTE DE ALTO RISCO NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE


PALAVRAS-CHAVES:

Pré-natal. Gestação. Apoio social. Parceiro.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

Introdução: A Mortalidade Materna (MM) é um persistente indicador de iniquidade social e falhas sistêmicas na saúde pública, sendo o Pré-Natal de Alto Risco (PNAR) uma estratégia crucial para a sua redução, exigindo uma assistência coordenada, contínua e especializada. Objetivo: Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo compreender as percepções e experiências de gestantes de alto risco sobre o cuidado recebido no pré-natal de alto risco no Sistema Único de Saúde (SUS) e o apoio do parceiro na gestação de alto risco. Método: A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, sendo realizada em uma maternidade no interior do Rio Grande do Norte, com mulheres acompanhadas pelo PNAR. O plano amostral utilizou a amostragem por conveniência, sendo a análise final composta por 19 participantes. A coleta de dados ocorreu entre outubro e novembro de 2024, por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas. A análise dos dados foi feita pelo método de Análise de Conteúdo de Bardin (2011), com o auxílio do software Atlas.ti, e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da FACISA-UFRN. Resultados: Os resultados revelaram que, embora o modelo estrutural de cuidado compartilhado entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e serviços especializados esteja estabelecido e busque a integralidade com equipes multiprofissionais, sua eficácia é minada por falhas operacionais na gestão da rede. A desarticulação institucional manifesta-se em atrasos críticos no agendamento, estendendo o retorno solicitado para mais de um mês e transformando o risco clínico em risco gerencial. Os principais entraves citados são as exigências da rotina laboral e a impossibilidade de liberação para consultas, a incompatibilidade de horários, o desinteresse e os conflitos conjugais. Essa ausência, que restringe a participação do parceiro apenas aos exames de imagem, evidencia um descompasso entre a expectativa da mulher e a realidade, gerando frustração, insegurança e sensação de negligência afetiva. A ausência masculina é reforçada por uma lógica cultural excludente que desvaloriza o papel do homem no cuidado, limitando-o à provisão financeira. A fragilidade desse apoio conjugal intensifica o estresse e a ansiedade, que podem agravar os riscos da gestação de alto risco. Conclusão: Conclui-se que a estrutura ideal do PNAR é duplamente comprometida: pela ineficiência administrativa (falha sistêmica) e pela limitação na participação do parceiro (barreira sociocultural), ambas transformando as barreiras em risco clínico e vulnerabilidade socioeconômica. Há uma necessidade urgente de aprimoramento da gestão da rede para que a cogestão interfederativa se traduza em eficiência e na implementação de políticas intersetoriais (saúde, trabalho e educação) que promovam a inclusão efetiva dos parceiros, garantindo a equidade, a integralidade e a redução da morbidade e mortalidade materna evitável.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 2507055 - CRISTIANE DA SILVA RAMOS MARINHO
Interno - 1152605 - FRANCISCO CLEITON VIEIRA SILVA DO RÊGO
Externa à Instituição - Cícera Renata Diniz Vieira Silva - UFCG
Notícia cadastrada em: 14/11/2025 15:02
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