INTERFACE ENTRE RECOMENDAÇÕES DA REDE ALYNE E DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE E REALIDADE LOCAL DA ASSISTÊNCIA À MULHER EM TRABALHO DE PARTO: FADIGA MATERNA E DETERMINANTES DO CUIDADO NO CICLO GRAVÍDICO PUERPERAL
Gravidez. Trabalho de parto. Fadiga. Cuidado Pré-Natal.
A fadiga materna é caracterizada como uma condição que exige estratégias de cuidado integral, envolvendo as dimensões física, psicológica e social da gestante. Este estudo tem como objetivo analisar a fadiga materna durante o trabalho de parto, à luz das recomendações da Rede Alyne e da Organização Mundial da Saúde, considerando os aspectos clínicos, sociodemográficos e as intervenções obstétricas realizadas, com foco nos determinantes do cuidado no ciclo gravídico-puerperal. Trata-se de um estudo observacional, de abordagem quantitativa, realizado com parturientes no interior do estado do Rio Grande do Norte, realizado no interior do estado do Rio Grande do Norte, incluindo 83 parturientes. Foram coletados dados sociodemográficos, obstétricos, antropométricos, da assistência pré-natal e ao parto, avaliação materna sobre fadiga durante o trabalho de parto e sobre dados do recém-nascido. Os critérios de inclusão foram: gestantes de risco habitual, com idade igual ou superior a 18 anos, e sem histórico de desordens neurológicas ou transtornos psiquiátricos. Os critérios de exclusão incluíram: gestantes de alto risco, com instabilidade clínica durante a realização da pesquisa, e aquelas que se retiraram do estudo em qualquer etapa. Foi realizada análise descritiva com testes não paramétricos, devido à distribuição não normal das variáveis. Posteriormente, aplicou-se o teste de correlação de Spearman e o teste de associação entre a fadiga e variáveis sociodemográficas e obstétricas, utilizando o software estatístico SPSS, versão 25. O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob CAAE: 69296623.2.0000.5568. O estudo em questão obteve a mediana da idade das participantes foi de 26 anos, a mediana da idade gestacional foi de 39 semanas e 5 dias e o número de consultas de pré-natal apresentou uma mediana de 10 consultas. Foi evidenciado que 95,2% das participantes apresentaram baixa fadiga durante o trabalho de parto e 4,8% apresentaram alta fadiga. Foi identificada correlação positiva entre o escore total de fadiga materna e variáveis obstétricas, como número de gestações (p = 0,001), número de partos anteriores (p = 0,001) e histórico de aborto (p = 0,010). Também houve correlação significativa entre os escores de fadiga nas fases latente e ativa do trabalho de parto (p = 0,034) e com a Escala Visual Analógica de dor (p = 0,001). Não foi observada correlação significativa com o escore de Bologna. A análise de associação pelo teste qui-quadrado entre os níveis de fadiga (alta e baixa) e variáveis sociodemográficas, obstétricas e assistenciais não revelou associação estatisticamente significativa (p > 0,05). A fadiga materna durante o trabalho de parto demonstrou estar associada a fatores obstétricos específicos, com correlação positiva entre o escore total de fadiga e o número de gestações, partos anteriores e histórico de aborto. Esses resultados sugerem que mulheres com maior vivência obstétrica podem apresentar níveis mais elevados de exaustão física e emocional durante o parto. Diante disso, recomenda-se que profissionais de saúde considerem o perfil obstétrico da parturiente como elemento central na elaboração de estratégias de cuidado humanizado, respeitando as singularidades de cada mulher e promovendo intervenções que minimizem o desgaste físico e emocional no ciclo gravídico-puerperal.