DISCURSO COLETIVO DE PACIENTES HOSPITALIZADOS EM DECORRÊNCIA DAS SÍNDROMES CORONARIANAS
Síndrome Coronariana Aguda. Saúde Coletiva. Doenças não transmissíveis. Processo Saúde-Doença.
Introdução: As doenças cardiovasculares configuram-se como importante problema de saúde
pública, figurando entre as principais causas de morbimortalidade no mundo e aumento
considerável pela busca da hospitalização como forma de tratamento e cuidado. A cardiopatia
em si agrega ao indivíduo sentimentos de fragilidade, vulnerabilidade e consciência da finitude.
Compreender as experiências de pessoas hospitalizadas por síndromes coronarianas, a partir do
Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), possibilita aprimorar cuidados e políticas públicas,
considerando que o adoecimento envolve dimensões emocionais, psicológicas e sociais que
influenciam a percepção da própria saúde. Objetivo: Analisar o discurso de pacientes
hospitalizados em decorrência das síndromes coronarianas em um hospital privado de alta
complexidade à luz do Discurso do Sujeito Coletivo de Lefevre e Lefevre. Metodologia: Trata-
se de um estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa, realizado no Hospital do
Coração, em Natal/RN. A amostragem foi intencional por conveniência, limitada pela saturação
teórica. Foram incluídos pacientes com 18 anos ou mais, internados por síndromes
coronarianas, totalizando 15 participantes entrevistados entre novembro de 2024 e janeiro de
2025. Os dados obtidos foram analisados segundo a técnica do DSC e discutidos à luz da
literatura pertinente às temáticas do trabalho, no âmbito da Saúde Coletiva. Resultados: Os
entrevistados tinham entre 34 e 85 anos, em sua maioria pardos, casados e do sexo masculino.
Quanto à escolaridade, predominou o ensino fundamental incompleto; dois possuíam ensino
superior completo e três não tinham escolaridade formal. Em relação à religião, prevaleceu o
catolicismo, seguido pelo protestantismo. O acesso ao atendimento hospitalar ocorreu,
principalmente, por meio de regulações do serviço privado articuladas ao Sistema Único de
Saúde (SUS). A análise resultou em nove discursos coletivos, construídos a partir das
expressões-chave e ideias centrais das falas. Discussão: As vivências dos pacientes acometidos
pelas síndromes coronarianas, revelam mudanças no cotidiano, percepções sobre a doença e o
cuidado de si, bem como repercussões sociais, emocionais e espirituais. As práticas de cuidado
com a saúde evidenciam certa negligência em ações preventivas, além de refletirem questões
de gênero e influências dos determinantes sociais da saúde. O adoecimento emergiu como uma
experiência que rompe a rotina e desafia a percepção de invulnerabilidade corporal, impondo
limitações e demandando uma nova compreensão do cuidar de si, com ressignificação da
relação com o corpo e a saúde. Os discursos também evidenciaram o impacto da doença sobre
o trabalho e a identidade, suscitando sentimentos de inutilidade diante da interrupção da
produção. As percepções sobre o envelhecimento estiveram associadas à família, autonomia,
declínio funcional e a um imaginário coletivo ligado à inatividade, perdas e dependência. A
espiritualidade, por sua vez, foi apontada como recurso de enfrentamento diante da incerteza,
da finitude e do sofrimento. Conclusões: A hospitalização por síndromes coronarianas afeta
profundamente dimensões físicas, emocionais, sociais e espirituais, modificando a percepção
de saúde, trabalho e sentido de vida. As experiências relatadas reforçam a relevância do apoio
familiar, da fé e do cuidado humanizado, bem como a necessidade de políticas e práticas
assistenciais que integrem aspectos biomédicos e psicossociais no tratamento.