SAÚDE E EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL DOS SEPULTADORES DA REGIÃO DO TRAIRI POTIGUAR
Trabalhador. Sepultamento. Cemitério. Processo Saúde-Doença.
Introdução: O sepultador ou coveiro desempenha um papel fundamental nas atividades realizadas nos cemitérios, como auxiliares do serviço funerário. Estes profissionais são responsáveis por construir, limpar, abrir e fechar sepulturas, além de realizar o sepultamento, exumação e cremação de cadáveres. Embora este trabalho tenha raízes profundas na história da humanidade, o campo de atuação dos sepultadores permanece carente de melhorias significativas que assegurem os direitos dos sepultadores, a valorização social e o reconhecimento das complexidades envolvidas em seu trabalho. Objetivo: Analisar as experiências do trabalho dos sepultadores da região do Trairi Potiguar e suas repercussões na saúde. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, de abordagem exploratória, realizado nos cemitérios da microrregião do Borborema Potiguar, no Estado do Rio Grande do Norte. Foram incluídos sepultadores com idade igual ou superior a 18 anos. O instrumento de coleta de dados foi um roteiro semiestruturado com questões referente às condições de trabalho, saúde e experiências dos sepultadores. Para análise dos dados, utilizou-se a Análise de Conteúdo com auxílio do software IRaMuTEQ®, que possibilita a análise do corpus textual, com uma interface simples e compreensível. Resultados e discussão: O corpus textual resultante foi composto por 10 textos divididos em 537 segmentos textuais, dos quais 461 foram processados pelo software, com um aproveitamento de 85,85%. O estudo resultou em uma amostra composta por 10 sepultadores, com vínculo ativo, entre contrato temporário e concurso público, atuando nos cemitérios municipais da região do Trairi Potiguar. A análise permitiu a construção de categorias temáticas conforme Classificação Hierárquica Descendente (CHD), que expressam dimensões da experiência dos sepultadores, são elas: Classe 1- Precarização do vínculo empregatício (27,1%); Classe 2- O corpo morto como objeto de trabalho e o esvaziamento simbólico do luto (21,5%); Classe 3- Rotina invisível e excesso de jornada de trabalho (27,6%); e Classe 4- Execução técnica e pouco reconhecimento social (23,9%). A Árvore de Similitude evidenciou três grandes núcleos: Núcleo 1- “cova”; Núcleo 2- “cemitério”; Núcleo 3- “coveiro”. A triangulação da CHD e a Árvore de Similitude demonstra consistência entre os núcleos destacados e as categorias temáticas. Considerações finais: A associação entre os achados do estudo e as categorias temáticas revela que os sepultadores enfrentam um ciclo de invisibilidade e precarização no trabalho, sofrendo em silêncio e sem reconhecimento institucional.