INCAPACIDADE FUNCIONAL EM PESSOAS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL: UMA ANÁLISE COMPARATIVA COM DADOS DO MDS-BRASIL
Hipertensão Arterial Sistêmica. Funcionalidade. Incapacidade Funcional. Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde. Model Disability Survey.
Introdução: A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) constitui uma das principais Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), associando-se a importantes repercussões clínicas, funcionais e sociais. Para além da abordagem biomédica, a compreensão da funcionalidade sob a perspectiva da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) permite analisar os impactos da doença nas dimensões relacionadas à mobilidade, às funções do corpo e à participação social. Objetivo: Analisar a influência da Hipertensão Arterial Sistêmica sobre os níveis de incapacidade funcional em residentes do município de Santa Cruz, Rio Grande do Norte, Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, de base populacional e abordagem quantitativa, realizado com 504 indivíduos adultos e idosos residentes no município de Santa Cruz/RN. Os participantes foram divididos em dois grupos conforme a presença autorreferida de diagnóstico de HAS. A coleta de dados foi realizada por meio do Model Disability Survey (MDS-Brasil), instrumento fundamentado no modelo biopsicossocial da CIF. Foram utilizados os módulos referentes às características sociodemográficas, funcionalidade e condições de saúde. Os escores de incapacidade funcional foram estimados por meio da Teoria de Resposta ao Item, utilizando o modelo Rasch para dados politômicos, e posteriormente transformados em escala de 0 a 100. As análises incluíram estatística descritiva, teste t de Student e regressão linear múltipla, adotando-se nível de significância de 5%. Resultados: Indivíduos com HAS apresentaram maiores níveis médios de incapacidade funcional quando comparados aos participantes sem hipertensão arterial sistêmica. Diferenças estatisticamente significativas foram observadas nos aspectos mobilidade, funções do corpo e atividades e participação. Na análise ajustada, a HAS permaneceu associada a maiores níveis de incapacidade nos aspectos funções do corpo e atividades e participação. Observou-se ainda maior frequência de limitações relacionadas à realização de atividades físicas intensas, permanência prolongada em pé, deslocamentos e execução de tarefas cotidianas entre os participantes hipertensos. Conclusão: A Hipertensão Arterial Sistêmica esteve associada a maiores níveis de incapacidade funcional, especialmente nos aspectos relacionados às funções do corpo e à participação nas atividades da vida cotidiana. Os achados reforçam a importância da incorporação da avaliação funcional no contexto da Atenção Primária à Saúde, contribuindo para o planejamento de estratégias de cuidado mais integrais, prevenção de incapacidades e promoção da autonomia dos indivíduos.