DIVIDENDOS, SENTIMENTO DO INVESTIDOR E SUA INTERAÇÃO COM O RISCO IDIOSSINCRÁTICO E OS RETORNOS ESPERADOS: UMA ANÁLISE NO CONTEXTO BRASILEIRO.
Sentimento do investidor; Risco idiossincrático; Retornos esperados.
Esta pesquisa analisa como os dividendos e o sentimento do investidor influenciam a relação entre o risco idiossincrático e os retornos esperados no mercado acionário brasileiro, no período de 2010 a 2024. Fundamentada nas finanças comportamentais e na teoria de precificação de ativos, a pesquisa busca compreender se fatores específicos das empresas e aspectos comportamentais afetam a formação dos retornos. A amostra é composta por empresas listadas na B3, excluindo instituições financeiras e ações com preço inferior a R$ 5,00, totalizando 148 companhias, classificadas em pagadoras e não pagadoras de dividendos. A volatilidade idiossincrática foi estimada a partir do modelo de três fatores de Fama-French, utilizando janelas móveis de 12 meses, enquanto os retornos esperados foram analisados por meio de regressões de Fama-MacBeth. O sentimento do investidor foi mensurado pelo Índice de Confiança do Consumidor, sendo utilizado para identificar períodos de otimismo e pessimismo no mercado. Adicionalmente, foram incluídas variáveis de controle como tamanho, book-to-market, momentum e liquidez. Os resultados indicam que empresas não pagadoras apresentam maior volatilidade idiossincrática e maior dispersão dos retornos em comparação às pagadoras. No entanto, não foi encontrada evidência estatisticamente robusta de que o risco idiossincrático seja precificado no mercado brasileiro no período analisado. Por outro lado, variáveis como momentum e tamanho demonstraram relevância na explicação dos retornos futuros. A análise do sentimento do investidor revelou que seu efeito é mais pronunciado entre empresas não pagadoras, reduzindo o preço do risco idiossincrático em períodos de otimismo. Conclui-se que, embora o risco idiossincrático não seja sistematicamente remunerado, a política de dividendos e o sentimento do investidor contribuem para compreender a heterogeneidade da precificação de ativos no mercado brasileiro.