Arte, educação e engajamento: a interseccionalidade e a arte como caminhos de enfrentamento às violências simbólicas contra mulheres negras
Arte educação; Interseccionalidade; Mulheres Negras; Violência Simbólica
Este trabalho apresenta uma pesquisa-ação desenvolvida na Escola Municipal Alice Garcia Freire, em Bom Jesus/RN, que investiga de que maneira a perspectiva interseccional pode ser mobilizada no ensino de Arte a fim de promover reflexões críticas entre estudantes dos 8º anos acerca das violências simbólicas que afetam mulheres no cotidiano escolar e social. Nessa direção, a pesquisa discute raça, gênero e classe por meio da articulação entre arte-educação e epistemologias interseccionais, reconhecendo que a compreensão das relações de poder que atravessam as camadas sociais é indispensável para a superação de práticas naturalizadas — e, por isso mesmo, simbólicas — de racismo, sexismo e classismo no espaço escolar. A investigação tem como objetivo principal fomentar, por intermédio do ensino de Arte, a práxis crítica das(os) estudantes sobre as dinâmicas interseccionais e seus efeitos na produção de violências dirigidas a diferentes grupos sociais, com ênfase nas mulheres negras. Metodologicamente, o estudo estruturou-se em dois ciclos de pesquisa-ação, envolvendo etapas de planejamento, intervenção, observação e avaliação. Cada ciclo culminou na realização da Semana de Arte e Cultura, em 2024, e da Semana de Arte, Cultura e Conhecimento, em 2025. As ações integraram diferentes linguagens artísticas e promoveram diálogos com o grupo cultural Pau Furado de Mulheres Quilombolas, da comunidade de Capoeiras, em Macaíba/RN, ampliando as experiências estéticas e políticas das turmas participantes. A análise dos dados quantitativos e qualitativos evidencia um avanço significativo na compreensão das estudantes entrevistadas acerca das temáticas trabalhadas. As participantes passaram a identificar formas de violência simbólica presentes em seu cotidiano, ao mesmo tempo em que fortaleceram vínculos de pertencimento e valorizaram positivamente suas identidades. Os resultados indicam que a arte, quando abordada criticamente e em diálogo com a realidade social dos sujeitos, produz deslocamentos epistemológicos e afetivos capazes de transformar a percepção das estudantes sobre si mesmas e sobre o meio social que habitam. Observa-se, ainda, que práticas pedagógicas articuladas a saberes comunitários contribuem para a construção de ambientes escolares mais sensíveis à diversidade e abertos a narrativas historicamente invisibilizadas. Por fim, o estudo conclui que a interseccionalidade, articulada ao ensino de Arte, configura-se como uma linguagem de sensibilização e mobilização social fundamental para compreender e enfrentar opressões estruturais que incidem sobre diferentes categorias sociais, particularmente, neste trabalho, as mulheres negras. A pesquisa aponta, ademais, possibilidades de aprofundamento teórico-metodológico, especialmente na aproximação entre interseccionalidade e violência simbólica, com vistas à realização de análises mais detalhadas acerca dos modos pelos quais práticas discriminatórias operam de forma velada no ambiente escolar.