Economia plural. Inclusão socioeconômica no Programa Mulheres Mil. Renda não monetária e relações não mercantis. Agroecologia. Gênero e relações intrafamiliares na agricultura familiar. Práticas de gestão social.
A desigualdade de oportunidades vivenciada por mulheres em situação de vulnerabilidade demanda políticas públicas que ultrapassem a lógica da empregabilidade formal e reconheçam os múltiplos modos de existência econômica. Nessa direção, esta dissertação investiga repercussões do Programa Nacional Mulheres Mil (PNMM) na vida de mulheres que constroem vínculos comunitários e formas de inserção social e econômica a partir de práticas não-monetárias e não mercantis. O objetivo consiste em compreender vínculos de solidariedade expressos em práticas de economia plural atribuídas por egressas do Curso de Horticultura Orgânica do Programa Mulheres Mil, considerando repercussões nos contextos familiar e comunitário. O objeto de análise foi constituído por turmas ofertadas pela Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN). Como aporte teórico, adota-se o conceito de economia substantiva de Polanyi (2000) associado a princípios de economia plural, economia feminista, economia do cuidado e agroecologia. Metodologicamente, a pesquisa ampara-se em abordagem qualitativa de natureza interpretativista, pela técnica de pesquisa narrativa. O corpus analítico do estudo foi constituído por narrativas produzidas em minigrupo focal (Torres, 2023) com quatro egressas vinculadas à Associação de Mulheres e Jovens das Comunidades de Pau Brasil e Rocinha (AMJOPAR), em São José de Mipibu/RN. Complementarmente, empregou-se a observação não participante com registros em notas de campo. O processamento dos dados do minigrupo focal ocorreu pelo software IRAMUTEQ com aplicação das ferramentas Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e Análise Fatorial de Correspondência (AFC). Os achados revelam práticas econômicas híbridas entre autoconsumo, compartilhamento e a ajuda mútua (reciprocidade e domesticidade) com vieses não mercantis e não mentários. Conclui-se que o Programa extrapola os indicadores convencionais de inserção pela participação no mercado e de geração de renda baseada em dinheiro, logrando êxito ao fomentar inclusão socioprodutiva por caminhos alternativos, tais como, mitigação do isolamento social, geração de bem-estar emocional, garantia da segurança alimentar familiar pelo autoconsumo e trocas na localidade e fortalecimento da autonomia comunitária e da cidadania no território.