PRECEPTORIA EM UM MINUTO: FORMAÇÃO PARA PRECEPTORES DE UM ESTÁGIO EM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS
Preceptoria; Estágio Clínico; Capacitação Profissional; Educação Continuada; Laboratórios Clínicos
Introdução: A preceptoria constitui um componente essencial da formação dos profissionais da saúde por integrar ensino e prática nos serviços assistenciais. Entretanto, muitos profissionais assumem essa função sem formação pedagógica específica, o que pode comprometer a sistematização das atividades de ensino e do feedback aos estudantes. O método One-Minute Preceptor (OMP) apresenta-se como uma estratégia de ensino estruturada e de fácil aplicação, porém sua utilização ainda é pouco explorada na preceptoria em laboratório de análises clínicas. Objetivo: Desenvolver e avaliar uma intervenção educativa fundamentada no método OMP, para preceptores de alunos de Biomedicina e Farmácia em estágio de Análises Clínicas. Método: Realizou-se um estudo com abordagem quantitativa, intervencional, desenvolvido na Unidade de Laboratório de Análises Clínicas (ULAC) do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Participaram 12 preceptores, entre farmacêuticos e biomédicos. A pesquisa foi conduzida em quatro etapas: pré-intervenção (percepção dos preceptores acerca de diferentes dimensões da prática da preceptoria na Unidade); realização da oficina de capacitação sobre o método OMP para os preceptores; avaliação imediata da intervenção educativa quanto a sua organização e desenvolvimento, aceitabilidade do método OMP e à sua aplicabilidade nas suas práticas; avaliação pelos preceptores de seguimento após 90 dias. O instrumento de avaliação foi composto por afirmativas a serem respondidas em escalas tipo Likert de cinco pontos, variando de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. Resultados: Na avaliação pré-intervenção, os preceptores apresentaram médias elevadas nos itens sobre a própria prática (4,08 a 4,75); os menores escores foram a percepção de homogeneidade da preceptoria entre os profissionais (2,67) e o uso rotineiro do OMP (3,25). Após a oficina, a aceitabilidade foi elevada (médias de 4,33 a 5,00), e dez dos 12 participantes concordaram totalmente que o método é aplicável à rotina do estágio. Aos 90 dias, todos concordaram, parcial ou totalmente, que houve mudança em sua prática de ensino e que utilizaram o OMP na prática diária; a maioria concordou totalmente que o método contribuiu para o raciocínio clínico-laboratorial e a autonomia dos estudantes (10 de 12), para a melhora do processo ensino-aprendizagem (11 de 12) e para o feedback imediato (11 de 12). Nas respostas abertas, os participantes destacaram a aprendizagem e a oportunidade de capacitação como pontos positivos, lamentaram a baixa frequência de ações semelhantes e sugeriram a repetição da oficina com mais turmas e mais prática. Os dados são autorreferidos e não permitem avaliar efeitos sobre a aprendizagem dos estudantes. Considerações Finais: A intervenção apresentou elevada aceitabilidade, boa aplicabilidade percebida e viabilidade de utilização na preceptoria em Análises Clínicas. Como produtos educacionais foram elaborados: um guia rápido para preceptores da Unidade e um vídeo educativo sobre o método OMP, com potencial para subsidiar ações de formação de preceptores, em diferentes cenários de saúde.