Comunicação aumentativa alternativa no pré-natal como estratégia de formação inclusiva na educação médica
Pessoas com Deficiência (PcD); Educação Médica; Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA); Pessoa Surda; Pré-natal
Introdução: A comunicação é um direito humano fundamental, e a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) constitui tecnologia assistiva relevante para promover a inclusão de pessoas com deficiência (PcD) na atenção à saúde. Objetivos: Avaliar a percepção dos discentes sobre sua capacitação para o atendimento a PcD; descrever o desenvolvimento e a aplicação de uma estratégia de CAA para o atendimento pré-natal de pessoas surdas; e avaliar a percepção dos estudantes de Medicina sobre a utilização da ferramenta. Métodos: Estudo quase-experimental, de abordagem mista, realizado com 18 estudantes do Internato em Tocoginecologia. A intervenção consistiu no desenvolvimento e uso do Caderno de Comunicação à Pessoa Surda na Consulta Pré-natal, associado a oficinas teórico-práticas com simulação por role-play. Os dados quantitativos foram analisados por Modelo Linear Misto e os qualitativos por análise temática. Resultados: As respostas evidenciaram desconhecimento prévio dos participantes sobre estratégias de CAA para o atendimento de pessoas surdas. Os estudantes relataram experiências e sentimentos negativos diante do atendimento a PcD, atribuídos principalmente às dificuldades para realizar anamnese e exame físico, e reconheceram lacunas na formação médica e a necessidade de desenvolver competências para a qualificação do cuidado. Após a intervenção, observou-se avaliação positiva da experiência, com 100% dos estudantes classificando-a como “feliz” ou “muito feliz”, além de aumento significativo da autopercepção de capacitação para o atendimento a PcD, particularmente nos aspectos relacionados à segurança e à capacidade de comunicação. Conclusão: A estratégia educacional baseada em CAA mostrou-se promissora e potencialmente reprodutível para o desenvolvimento de competências comunicacionais e de práticas de cuidado inclusivo. Os achados reforçam a importância da incorporação de estratégias de acessibilidade comunicacional na formação médica, visando à integralidade e à equidade na atenção às pessoas com deficiência.