Violência sexual infantil em um ambulatório de pediatria: o olhar dos profissionais residentes e preceptores sobre o atendimento às vítimas
Violência Sexual Infantojuvenil; Formação Profissional em Saúde; Atendimento em Saúde; Preceptoria
Introdução: A violência sexual contra crianças e adolescentes é um grave problema de saúde pública, com repercussões físicas, psicológicas e sociais duradouras. O atendimento a essas vítimas nos serviços de saúde exige profissionais capacitados e uma rede de proteção articulada. Nesse contexto, a formação em serviço, como a ofertada em programas de residência multiprofissional, torna-se um lócus privilegiado para a qualificação da assistência. Objetivo: Compreender a percepção de profissionais médicos, preceptores e residentes de um ambulatório de pediatria sobre o processo de atendimento às vítimas de violência sexual infantil e sua relação com a formação profissional. Método: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo exploratório-descritivo, realizado no ambulatório de pediatria do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), em Natal/RN. A pesquisa contou com a participação de profissionais médicos, entre preceptores e residentes. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas, e os dados foram analisados pela técnica de Análise de Conteúdo de Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HUOL (Parecer n° 7.275.276). Resultados e Discussão: A análise revelou que os profissionais compreendem a violência sexual infantil em sua complexidade, abrangendo desde atos com contato físico até formas de exploração e assédio. Foram identificadas diversas dificuldades no atendimento, com destaque para a abordagem à vítima e à família, a inexistência ou desconhecimento de um fluxo institucional claro e a fragilidade da rede de proteção. Como facilitadores, foram apontados a atuação da equipe multiprofissional e o estabelecimento de vínculo de confiança com a criança. A ausência de um protocolo formal foi um consenso, gerando insegurança e fragilidades na condução dos casos. Considerações Finais: O estudo aponta a necessidade de qualificação da formação profissional e da organização dos serviços para o atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A implementação de protocolos institucionais, a educação permanente e a articulação intersetorial são estratégias fundamentais para a garantia de um cuidado integral, humanizado e não revitimizante.