FATORES ASSOCIADOS AO RISCO DE VIOLÊNCIA EM IDOSOS ATENDIDOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
Fatores Associados; Risco de Violência, Qualidade de Vida, Saúde Mental; Pessoas Idosas; Atenção Primária À Saúde.
Diante do rápido envelhecimento populacional, a violência contra idosos tornou-se um grave problema de saúde pública, afetando globalmente um em cada seis indivíduos. Este estudo observacional e transversal, de abordagem quantitativa, analisou a relação entre qualidade de vida (QV), fragilidade física, desempenho cognitivo e risco de violência em 260 idosos atendidos na Atenção Primária à Saúde em Santa Cruz (RN). Os dados, analisados via SPSS, confirmam que o risco de violência não se restringe a perfis sociodemográficos, estando profundamente ligado a indicadores de saúde clínica, cognitiva e emocional. A multimorbidade e a fragilidade física surgem como preditores centrais; idosos com quatro ou mais doenças crônicas apresentam risco cinco vezes maior de sofrer abusos, devido à limitação da capacidade de reação e busca por apoio. No âmbito cognitivo, alterações na memória imediata, orientação espacial e linguagem verbal facilitam a vitimização, criando um ciclo vicioso onde a dependência dificulta o relato do abuso, e a própria violência acelera o declínio mental. Além disso, baixos escores em saúde mental e aspectos emocionais elevam o risco, com idosos depressivos apresentando probabilidade três vezes maior de sofrer violência. Conclui-se que o rastreio da violência deve superar variáveis como sexo e idade, focando na interdependência entre autonomia funcional, estado cognitivo e suporte psicológico. Compreender a violência como causa e consequência da deterioração da saúde é essencial para estratégias de prevenção e cuidado integral na terceira idade.