DÉFICITS DE MEMÓRIA VERBAL E VELOCIDADE DE PROCESSAMENTO NA COVID LONGA: UM ESTUDO NEUROPSICOLÓGICO CONTROLADO EM ADULTOS BRASILEIROS
Long COVID · Síndrome Pós-COVID-19 · Memória episódica verbal · Velocidade de processamento · Comprometimento cognitivo
Uma proporção substancial de pacientes desenvolve COVID Longa após a infecção pelo Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV-2), sendo as dificuldades de memória, concentração e fadiga os sintomas cognitivos mais frequentemente relatados. Neste estudo, caracterizamos o perfil neuropsicológico de adultos brasileiros com COVID Longa, identificando os domínios cognitivos mais afetados, os determinantes socioclínicos associados ao comprometimento e o valor preditivo do desempenho neuropsicológico para o diagnóstico diferencial entre COVID Longa e recuperação típica. Realizamos um estudo observacional incluindo 120 adultos (18–50 anos) com histórico confirmado de infecção por SARS-CoV-2, divididos em grupo COVID Longa (n = 60), com queixas cognitivas persistentes por mais de oito semanas, e grupo controle (n = 60), sem sequelas pós-infecção. A avaliação neuropsicológica incluiu o Montreal Cognitive Assessment, a Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção, o Teste dos Cinco Dígitos e o Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey. O sintoma subjetivo mais prevalente foi a dificuldade de memória (96,7%), seguida de dificuldade de concentração (36,7%) e fadiga (16,7%). O grupo COVID Longa apresentou desempenho significativamente inferior nas tarefas de velocidade de processamento, incluindo Leitura (p = 0,001; d = −0,35) e Contagem (p = 0,017; d = −0,25) do Teste dos Cinco Dígitos, e na memória episódica verbal, com prejuízo em múltiplas tentativas de aprendizagem, na evocação tardia (p = 0,008; d = −0,49) e no escore total (p = 0,010; d = −0,48) do Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey. Não foram observadas diferenças significativas nos domínios atencionais. A análise estratificada por sexo revelou comprometimento mais amplo em mulheres. A regressão multivariável confirmou associações independentes entre o status de COVID Longa e pior desempenho cognitivo após ajuste para idade, sexo e número de infecções prévias. Esses achados delineiam um fenótipo neuropsicológico específico na COVID Longa, fornecendo subsídios para o manejo clínico e para o desenvolvimento de políticas públicas de saúde voltadas a essa população.