RESTAURANDO A SAÚDE VAGINAL EM SOBREVIVENTES DE CÂNCER DE MAMA: ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO CONTROLADO (SHAM) COM RADIOFREQUÊNCIA FRACIONADA MICROABLATIVA
Câncer de Mama, Sobreviventes de Câncer, Menopausa, Vaginite Atrófica, Terapia por Radiofrequência
Objetivo: Avaliar a segurança e a eficácia da radiofrequência (RF) fracionada microablativa em comparação ao tratamento simulado (sham) em sobreviventes de câncer de mama com síndrome geniturinária da menopausa (SGM).
Métodos: Ensaio clínico prospectivo, randomizado, controlado (grupo sham), simples-cego, conduzido entre fevereiro e dezembro de 2025. Sobreviventes de câncer de mama com SGM elegíveis foram randomizadas para receber RF fracionada microablativa vaginal ou tratamento simulado. A avaliação de seguimento foi realizada um mês após a intervenção. O desfecho primário foi a função sexual, avaliada pelo Female Sexual Function Index (FSFI), e a intensidade dos sintomas (dispareunia, disúria e ressecamento vaginal), mensurada pela escala visual analógica (EVA). Os desfechos secundários incluíram saúde vaginal, avaliada pelo Vaginal Health Index (VHI); composição da microbiota vaginal (escore de Nugent); índice de maturação vaginal (IMV); qualidade de vida, avaliada pelo Short Form Health Survey (SF-12); e sintomas urinários, avaliados por questionários autoaplicáveis do International Consultation on Incontinence Questionnaire – ICIQ-UI e ICIQ-OAB. As comparações entre os grupos foram realizadas por meio do teste t de Student pareado, e os tamanhos de efeito foram estimados pelo d de Cohen. O nível de significância adotado foi p < 0,05.
Resultados: Sessenta mulheres (idade média 49,6 ± 6,9 anos), predominantemente com menopausa induzida pelo tratamento (75%) e câncer de mama subtipo luminal (83,3%), foram incluídas. No grupo RF fracionada microablativa, observaram-se melhorias significativas no pH vaginal, VHI, dispareunia e ressecamento vaginal (todos p < 0,001), enquanto os escores de FSFI não se modificaram significativamente (p = 0,132). Houve também melhora da disúria (p = 0,004). No grupo sham, observaram-se melhorias modestas no FSFI (p = 0,002), dispareunia (p < 0,001), disúria (p < 0,001) e ressecamento vaginal (p = 0,007), sem alterações significativas no pH vaginal (p = 0,083) ou no VHI (p = 0,625). As comparações entre grupos demonstraram maior efeito da RF fracionada microablativa sobre parâmetros objetivos de saúde vaginal.
Conclusões: A RF fracionada microablativa vaginal é uma terapia não hormonal segura e eficaz para a melhora dos sintomas da SGM e da saúde vaginal em sobreviventes de câncer de mama. No entanto, não houve melhora significativa da função sexual, possivelmente refletindo seu caráter multifatorial. Esses achados reforçam a necessidade de abordagens terapêuticas multimodais e estudos adicionais.
Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos (ReBEC): RBR-2ntr3yd