PLASMA FRIO ATMOSFÉRICO COMO ESTRATÉGIA SINÉRGICA PARA AUMENTAR A RESISTÊNCIA DE INTERFACES DE RESINA E PINO DE FIBRA DE VIDRO
Plasma Frio Atmosférico, Ativação Superficial, Pino de Fibra de Vidro, Resistência ao push-out, Resina Composta
O protocolo atualmente considerado padrão para a adesão de pinos de fibra de vidro a compósitos resinosos baseia-se em um procedimento demorado e altamente dependente da técnica, que envolve a imersão em peróxido de hidrogênio concentrado (H₂O₂), seguida de lavagem, secagem controlada e silanização. Neste estudo, o plasma frio atmosférico (PFA) foi investigado como método de ativação superficial de pinos de fibra de vidro reforçados com resina epóxi, com o objetivo de substituir parcial ou totalmente o pré-tratamento convencional com H₂O₂.
As alterações químicas na superfície foram monitoradas por espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR), que revelou aumento na densidade de grupos contendo oxigênio (–OH e Si–OH), indicando maior ativação superficial e maior potencial para o acoplamento com agentes silânicos. As medições de molhabilidade confirmaram o aumento da hidrofilicidade após o tratamento por plasma.
Os ensaios de resistência ao cisalhamento por extrusão (push-out) demonstraram que o tratamento combinado por plasma e condicionamento químico (P30PC) apresentou a maior resistência ao cisalhamento interfacial (43,5 ± 10,2 MPa), correspondendo a um aumento de aproximadamente 30–35% em relação aos grupos sem tratamento e tratados apenas com plasma. A análise fractográfica revelou uma transição de falhas por descolamento frágil para modos de fratura com maior dissipação de energia.
Tempos mais longos de exposição ao plasma (60 s) não proporcionaram benefícios adicionais e, em alguns casos, reduziram a adesão, sugerindo saturação superficial ou oxidação excessiva. De modo geral, o plasma frio atmosférico atuou de forma sinérgica com o condicionamento convencional, promovendo simultaneamente a limpeza e a ativação da superfície do pino, aumentando a energia superficial e a quantidade de grupos funcionais reativos, além de melhorar significativamente a resistência e a durabilidade da união adesiva. Essa abordagem representa uma estratégia promissora para simplificar os procedimentos clínicos e aumentar a longevidade das restaurações em dentes tratados endodonticamente.