EXPLORANDO A APLICABILIDADE DA ULTRASSONOGRAFIA MODO A NO CONTEXTO CLÍNICO DA AVALIAÇÃO DA MASSA MUSCULAR
Composição corporal; câncer; saúde muscular; sobrevida; ultrassonografia; ressonância magnética.
A avaliação da composição corporal, com foco na massa muscular esquelética, é fundamental para o manejo clínico de diversas condições, especialmente no câncer, onde a depleção proteica está associada a piores desfechos. Embora métodos de imagem avançados sejam o padrão-ouro, a busca por ferramentas de beira de leito, como a ultrassonografia (US) modo A, torna-se essencial para a prática hospitalar. Esta tese é composta por produtos oriundos de dois estudos que investigaram a aplicabilidade desta tecnologia. O primeiro estudo objetivou avaliar a validade técnica do US modo A em comparação à Ressonância Magnética (RM) em 95 adultos jovens saudáveis (60% mulheres; 29 ± 6 anos). Foram mensuradas as espessuras musculares do bíceps e do quadríceps via US e a área muscular esquelética por RM ao nível da terceira vértebra lombar. Os resultados demonstraram que a espessura muscular do bíceps (BMT) apresentou forte correlação com a área muscular esquelética da RM (r = 0,82; R² = 0,68; p < 0,001), superando significativamente o desempenho das medidas realizadas na coxa, o que sustenta o uso do modo A como um substituto viável e de baixo custo para estimativas da massa muscular global. O segundo estudo aplicou essa ferramenta no contexto oncológico, investigando a associação entre a espessura muscular e desfechos clínicos adversos em 358 pacientes (53,6% mulheres; 50,4% com tumores gastrointestinais; 42,5% em estágio IV/TNM). A espessura muscular foi aferida no bíceps (BMT) e na coxa (TMT). Os achados demonstraram que apenas a BMT foi um preditor independente de mortalidade em 30 dias e em 6 meses. Cada acréscimo de um milímetro na BMT reduziu o risco de óbito em 30 dias em 9% (IC 95%: 0,85–0,96) e em 6 meses em 6% (IC 95%: 0,91–0,98), enquanto a TMT não apresentou valor preditivo significativo para sobrevida ou internação prolongada. Os achados desta tese reforçam que o ultrassom modo A é uma ferramenta tecnicamente validada para a avaliação muscular, apresentando a espessura do bíceps como um indicador robusto de sobrevida no câncer. Esta tecnologia destaca-se como uma estratégia de beira de leito valiosa para a identificação precoce de riscos, permitindo a implementação de intervenções apropriadas e a otimização do cuidado ao paciente com câncer em ambientes de recursos limitados.