TERRITORIALIDADES E EMPREENDIMENTOS EÓLICOS EM COMUNIDADES TRADICIONAIS: RECONFIGURAÇÕES DOS MODOS DE VIDA NO TERRITÓRIO QUILOMBOLA DE MACAMBIRA-RN
empreendimentos eólicos, territorialidade; povos e comunidades tradicionais; extrativismo verde; colonialismo energético.
A expansão dos empreendimentos de geração e transmissão de energia eólica no Nordeste brasileiro tem avançado sobre comunidades tradicionais, alterando territorialidades e modos de vida. Embora seus impactos socioambientais sejam amplamente discutidos, ainda são insuficientes estudos que aprofundam a compreensão sobre como a inserção desses empreendimentos afetam comunidades tradicionais em contextos específicos. Nesta pesquisa busca-se compreender os efeitos dos empreendimentos eólicos e de transmissão de energia elétrica sobre a territorialidade e os modos de vida tradicionais da comunidade quilombola de Macambira (RN), considerando práticas cotidianas, dinâmica econômica local e modalidades de gestão territorial, comunitária e institucional. Trata-se de pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, do tipo estudo de caso. Como técnicas de coleta de dados foram realizadas entrevistas semiestruturadas, grupos focais, observação direta e análise documental. A análise dos dados foi realizada à luz dos conceitos de extrativismo verde e colonialismo energético, fundamentos teóricos que orientam esta pesquisa. Como principais resultados temos a relação direta da inserção das empresas com a redução do território legalmente reconhecido pelo Estado brasileiro, a existência de impactos socioambientais ligados à produção de energia eólica, o comprometimento da capacidade de produção da agricultura familiar, a perda de renda e consequente aumento de custos pelas limitações no cultivo, a existência de diversidades nos modos de organização social dentro de um mesmo território tradicional e evidente fragilidade institucional no contexto de defesa dos territórios tradicionais. Concluímos que os empreendimentos eólicos desencadearam a reconfiguração do território tradicional em suas dimensões espaciais, simbólicas e relacionais, compelindo os moradores a adaptar seus modos de vida e produzir novas territorialidades como estratégias de resistência e permanência no território. A pesquisa contribui para o debate sobre a presença de empreendimentos eólicos em comunidades tradicionais, expondo a necessidade de uma política de proteção territorial efetiva que considere a complexidade dos seus efeitos nas territorialidades estabelecidas.