TERRITÓRIO VIVIDO E DANÇADO: FORMAÇÃO TERRITORIAL E PROCESSOS DE PERMANÊNCIA - A DANÇA DE SÃO GONÇALO NA COMUNIDADE QUILOMBOLA DO PÊGA, PORTALEGRE/RN
Formação territorial; Território quilombola do Pêga; Dança de São Gonçalo; Práticas culturais; Portalegre.
A formação territorial de comunidades quilombolas rurais constitui um processo histórico e relacional que não se encerra na ocupação da terra ou nos instrumentos que a regulam. Nesses territórios, as práticas culturais organizam os usos do espaço, estruturam a vida coletiva e sustentam os vínculos que garantem a permanência de quem os habita ao longo do tempo. É nesse contexto que se situa o tema desta pesquisa: a relação entre formação territorial e práticas culturais na comunidade quilombola do Pêga, localizada no município de Portalegre, na região serrana do Alto Oeste do Rio Grande do Norte, tendo a dança de São Gonçalo como demarcador cultural desse território vivido e dançado. O problema que orienta a investigação parte da constatação de que a comunidade sustenta sua presença no território mesmo diante de tensões estruturais como insegurança fundiária, ausência de políticas públicas, disputas religiosas e enfraquecimento de práticas produtivas tradicionais, e que a dança de São Gonçalo se mantém ativa ao longo de gerações como elemento central dessa permanência. Diante disso, a pesquisa pergunta: de que maneira a formação territorial e os processos de permanência da comunidade quilombola do Pêga condicionam e são condicionados pela prática da dança de São Gonçalo ao longo de sua trajetória histórica? A pesquisa examina a formação territorial da comunidade do Pêga a partir dos processos de permanência e das práticas culturais, elegendo a dança de São Gonçalo como objeto de análise privilegiado. O trabalho adota abordagem qualitativa de caráter participante e articula levantamentos históricos e sócio-espaciais, análise cartográfica com base em imagens aéreas, grupos focais com produção de mapas mentais, entrevistas semiestruturadas com moradores e participação observante nas atividades da comunidade. O referencial teórico mobiliza contribuições da Arquitetura e Urbanismo, da Geografia e dos estudos decoloniais, a partir de autores como Lefebvre (1991), Santos (2006), Haesbaert (2004), Taylor (2013), Quijano (2005), Lugones (2008), Nascimento (1989) e Nego Bispo (2015). A pesquisa espera demonstrar que o território quilombola do Pêga constitui um espaço de resistência e reexistência, no qual a comunidade realiza sua permanência não apesar das tensões que a atravessam, mas também por meio delas, mediada por práticas que articulam corpo, memória, religiosidade e pertencimento ao longo de gerações.