O CAMPO, AS FORMAS DO CAPITAL E O HABITUS MILITANTE: UMA
ANÁLISE DA COOPERATIVA DE PRODUÇÃO, AGROINDUSTRIALIZAÇÃO
E COMERCIALIZAÇÃO DOS ASSENTAMENTOS DA REFORMA AGRÁRIA
DA REGIÃO MATO-GRANDE E GRANDE NATAL (COOAP)
cooperativismo, capital social, habitus, reforma agrária
A presente dissertação analisa a Cooperativa de Produção, Agroindustrialização e
Comercialização dos Assentamentos da Reforma Agrária da Região Mato-Grande e
Grande Natal (COOAP), com o objetivo de compreender como suas práticas expressam
a articulação entre diferentes formas do capital, estratégias de ação coletiva e inserções
em múltiplos campos, contribuindo para a construção e reprodução de territórios
produtivos no contexto da reforma agrária. Fundamentada na sociologia de Pierre
Bourdieu, a pesquisa mobilizou categorias analítica capazes de interpretar as dinâmicas
internas da Cooperativa, a partir de uma pesquisa qualitativa, que utilizou a observação
de campo, registros institucionais, participação em eventos e entrevistas, sistematizadas
a partir de 11 atividades de atuação da COOAP, no período de 2024 a 2025. Os
resultados evidenciaram que a COOAP não constitui um campo autônomo, mas uma
organização que ocupa uma posição relacional entre diferentes campos, no qual se
articulam dimensões econômicas, políticas e simbólicas, sendo marcadas por tensões
entre a lógica do mercado, os princípios do cooperativismo e pelo Habitus construído
em experiências prévias a cooperativa. Além disso, constatou-se que, embora o capital
econômico apresente limitações estruturais, a Cooperativa sustenta sua atuação por
meio da mobilização e conversão intensa de capital social e simbólico, associados à
trajetória militante dos cooperados. Ademais, o Habitus militante emerge como
elemento central na organização das práticas coletivas, orientando as disposições
voltadas à solidariedade, autogestão e ação política.