VINHO E TERRITÓRIO: AS INDICAÇÕES GEOGRÁFICAS VITIVINÍCOLAS NO RIO GRANDE DO SUL
Palavras-chave: Indicação geográfica vitivinícola- IGV, Desenvolvimento territorial, Desenvolvimento territorial sustentável, Associações e Vinícolas, Rio Grande do Sul.
RESUMO
A produção vitivinícola tem como característica qualitativa e intrínseca a identificação de origem, a partir da ideia-força de terroir que é associado às condições naturais específicas de solo e clima de uma região pelo conhecimento humano sendo as Indicações Geográficas o principal instrumento usado para o reconhecimento de um produto em relação ao território onde é produzido, atestando as características de qualidade e especificidade. A pesquisa é norteada pela reflexão da relação entre o reconhecimento das Indicações Geográficas Vinicolas e o desenvolvimento dos territórios em que estão localizadas pelos atores investigados, averiguando a percepção de valor, a escolha econômica prática de prioridades pelas IGs e de como identificam a relação entre o desenvolvimento gerado no território e as indicações geográficas. Pretendendo identificar e mapear a produção de vinhos com selo e aliar a discussão da cesta de bens e serviços territoriais (CBST) para encetar a discussão de estratégias que possam beneficiar uma associada e os territórios vitivinícolas. A metodologia foi qualitativa e quantitativa utilizando como instrumento de coleta de dados entrevistas com representantes das associações e questionários com as empresas vinícolas na região da serra e da campanha no estado do RS, estado que concentra o maior número de indicações geográficas vinícolas no Brasil, tomando os principais resultados atribuídos pelas vinícolas pelo uso do selo em seus produtos, bem como o vínculo cultural de pertencimento. O aporte teórico foi o desenvolvimento territorial sustentável, a renda de qualidade territorial e a cesta de bens e serviços territorializados. Além disso, apresentou-se o cenário da evolução da vitivinicultura no Brasil e no Rio Grande do Sul frente à incorporação das indicações geográficas. Os resultados da pesquisa indicam que as indicações geográficas são percebidas pelos gestores das associações como de baixa contribuição ao desenvolvimento das regiões, no entanto é possível dizer que, em relação às vinícolas, há uma percepção diferenciada sobre o seu uso, ressaltando-se o fator promocional das vinícolas e seus vinhos, que assume um caráter mais intangível e social, determinando decisões práticas que avaliam menos os aspectos econômicos, evidenciando uma tendência de maior aceite da cesta de bens e serviços.