O AVANÇO DAS FRONTEIRAS COLONIAIS: DESLOCAMENTOS, TERRITÓRIOS E
TERRITORIALIDADES INDÍGENAS NOS SERTÕES DA AMAZÔNIA COLONIAL
PORTUGUESA (1686–1798)
Amazônia Colonial; Fronteiras Coloniais; Paisagem Histórica; Territorialização e História e Espaço.
A presente pesquisa analisa o avanço das fronteiras na Amazônia colonial portuguesa entre 1686 e 1798, com foco nas dinâmicas de deslocamento, territorialização e reconfiguração espacial dos povos indígenas no antigo Estado do Maranhão e Grão-Pará. Parte-se da compreensão do espaço como construção histórica e social, produzido por relações de poder, práticas culturais e interações com o meio biofísico. Ao problematizar a historiografia tradicional, centrada na expansão luso-colonial, na concessão de sesmarias e na formação de vilas, o estudo busca evidenciar a agência indígena na produção de territorialidades próprias, frequentemente invisibilizadas pelas narrativas que representaram o sertão como vazio. A pesquisa sustenta que a expansão colonial implicou processos simultâneos de desterritorialização e reterritorialização, resultando na formação de múltiplas territorialidades compartilhadas no interior do mundo colonial. Esses processos produziram paisagens sobrepostas, nas quais coexistiram formas distintas de ocupação e significação do espaço. Ao dialogar com a História Ambiental e com conceitos da Geografia, como território, paisagem e lugar, o trabalho investiga como os povos indígenas reconstruíram espaços de autonomia, adaptaram-se às novas condições e mobilizaram instrumentos coloniais — como as sesmarias — para garantir o acesso à terra. Assim, propõe-se reinterpretar a ocupação da Amazônia colonial a partir de uma perspectiva que reconhece os indígenas como sujeitos históricos ativos na formação territorial e na produção das paisagens coloniais.