O ESPAÇO ARQUITETÔNICO DOS PALÁCIOS NEOASSÍRIOS COMO VEÍCULO DE MEMÓRIA CULTURAL
Relevos neoassírios; Palácios neoassírios; Espaço arquitetônico; Memória Cultural.
Os palácios imperiais neoassírios não eram apenas uma sede administrativa ou de poder, mas um
veículo de produção e preservação de memória cultural, cujo espaço arquitetônico composto por
relevos parietais e inscrições epigráficas e cuneiformes funcionavam como instrumentos
mnemônicos que pretendiam preservar uma memória oficial sobre a realeza assíria, seu rei e seu
povo, destacando a hegemonia imperial e a ordem divina, projetando essas mensagens tanto para
a audiência da época quanto para a posteridade. Relevos e Inscrições não são tratados como
objetos, mas como coisas vivas, portadoras de agência material, que interagem com os humanos
e com os ambientes arquitetônicos, moldando mentes e comportamentos, efetivando um
processo de Engajamento Material no qual esses artefatos – apesar dos diversos “desvios de rota”
possíveis – continuam ativos no presente, em emaranhamento. Propõe-se, a partir disso, uma
“Assiriologia à brasileira”, produzida a partir do Nordeste, questionando a visão eurocêntrica e
orientalista que reduziu a Assíria ao estereótipo de barbárie e violência, defendendo uma
perspectiva pluralista que reconheça as realidades da estrutura imperial assíria, expressa na
composição de textos e imagens oficiais como parte de uma estratégia política de hegemonia
negociada e um dispositivo apotropaico para manter o Equilíbrio Cósmico e a ordem social
vigente. A força impressiva desses registros materiais possibilita a análise da circularidade da
memória assíria no mundo contemporâneo, uma vez que o passado assírio reaparece em
produções de Arte Contemporânea; no reconhecimento e valorização do patrimônio histórico,
arqueológico e cultural mesopotâmico diante do flagelo de monumentos destruídos; no fomento à
identidades nacionais contemporâneas animadas pela recuperação de símbolos assírios
reconhecíveis publicamente; em apropriações e promoção de propaganda e legitimação de poder
político; e como parte da Cultura Brasileira, identificável na arquitetura e na literatura. Esses
aspectos atestam que a Assíria é um passado que não se perdeu, mas que continua a fluir ao longo
de uma malha ou de um conjunto de cipós, conectando diferentes tempos e espaços através de
seus traços materiais e mnemônicos.