PRÁTICAS DO CULTO DE ÍSIS NA PENÍNSULA IBÉRICA ENTRE OS SÉCULOS I-III E.C.
religião, comunicação, cultura material, Ísis, Península Ibérica.
Inserida entre os trabalhos que se dedicam ao estudo da religião romana na antiguidade, mais precisamente, ao estudo das práticas religiosas dedicadas aos deuses isíacos na Península Ibérica, esta dissertação tem por objetivo apresentar o culto dedicado a Ísis e sua família divina nas cidades de Augusta Emérita, Italica e Baelo Claudia entre os séculos I-III E.C, a partir das práticas acionadas por lucernas de terracota, juntamente com esculturas e epígrafes. Para isso, caracterizamos os diferentes usos dados pelos adoradores dos deuses nilóticos às fontes, delimitando concepções e atributos com a análise da cultura material. Discutimos as formas assumidas pelo culto de Ísis, narrando as transformações e permanências nas práticas em um mesmo contexto citadino e em meio ao Império Romano. E descrevemos o espaço vivido do culto de Ísis nas cidades analisadas. Metodologicamente, elaboramos um corpus documental, no qual as fontes foram distribuídas em tabelas tipológicas, que permitem a comparação e sistematização de dados sobre atributos, usos e práticas recorrentes nos três séculos de análise. Teoricamente, esta pesquisa é pautada nas considerações teóricas de Jörg Rüpke (2015, 2018) sobre religião pensada como comunicação; de Richard Hingley (2005) sobre a identidade local dos grupos de adoradores de Ísis no sul da Iberia; e de “glocalização” aplicada à comunicação religiosa, por meio da cultura material no Império Romano, conceito este discutido por David C. D. Van Alten (2017). Por fim, para trabalhar o contexto de espaço vivido, utilizo como base a interpretação do conceito de Lefebvre (2006) feita por Jörg Rüpke em sua obra “Religião Urbana” (2021).