Terapias não-farmacológicas para manejo da dor em unidades de terapia intensiva
pediátrica e neonatal: uma atualização de revisão de escopo
Manejo da Dor; Unidades de Terapia
Intensiva Pediátrica; Terapias Complementares;
Musicoterapia; Música; Enfermagem Baseada em
Evidências; Revisão de Escopo.
MUNIZ, I.G. Terapias não farmacológicas para manejo da dor em unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal: uma atualização de revisão de escopo. 2026, 145p. Tese (Doutorado em Enfermagem na Atenção à
Saúde) — Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2026. Introdução: A dor em crianças internadas em Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) é um fenômeno clínico complexo e prevalente, mesmo com protocolos farmacológicos estabelecidos. As evidências sobre terapias não farmacológicas (TNF) nesse contexto permanecem fragmentadas e insuficientemente sistematizadas. Objetivo: Mapear as TNF utilizadas no manejo da dor em UTIP, identificando padrões, avanços, lacunas e implicações para a prática de enfermagem baseada em evidências. Método: Tese estruturada em três etapas: (1) protocolo de revisão de escopo, registrado na Open Science Framework (DOI: 10.17605/OSF.IO/DZHKT) e publicado no BMJ Open (2024); (2) revisão de escopo conduzida pela metodologia JBI, reportada segundo o PRISMA-ScR, com busca em nove bases de dados eletrônicas (PubMed/MEDLINE, CINAHL, Embase, Scopus, Web of Science, LILACS, Academic Search Premier, ScienceDirect e Cochrane Library) e literatura cinzenta, sem restrição de idioma; e (3) atualização da revisão de escopo. Dados organizados pelo framework PAGER. Aspectos éticos: Pesquisa com dados secundários de domínio público, dispensada de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa (Resolução CNS no 510/2016). Protocolo registrado prospectivamente. Sem conflito de interesses. Principais resultados: Na revisão original, 28 estudos foram incluídos de 780 registros; na atualização, 56 estudos de 1.002 registros. Intervenções baseadas em música (música clássica gravada, musicoterapia ao vivo e voz materna gravada) foram as TNF mais frequentes, com sessões de 10 a 60 minutos. Também foram identificados acupuntura, massagem, toque terapêutico, aromaterapia, imagética guiada, hipnose, contação de histórias, realidade virtual, posicionamento e presença dos pais. A maioria dos estudos reportou redução nos escores de dor (FLACC, FLACC revisada, COMFORT- B, Wong-Baker FACES, Numeric Rating Scale). Limitações recorrentes: heterogeneidade nos protocolos, ausência de padronização de desfechos, amostras reduzidas e coadministração de sedativos. Evidências sobre ventilação mecânica e tempo de internação foram inconclusivas. A análise PAGER revelou sub- representação de países de baixa e média renda, baixa integração das TNF em protocolos assistenciais e heterogeneidade conceitual crítica: música gravada e musicoterapia ao vivo foram agrupadas sob o termo genérico "intervenções musicais", comprometendo a interpretabilidade das evidências. Conclusão: As TNF são factíveis e potencialmente benéficas como adjuvantes à analgesia em UTIP. Recomendações clínicas robustas dependem de padronização metodológica e ensaios multicêntricos. A principal contribuição desta tese é tornar explícita a distinção entre musicoterapia ao vivo e música gravada — modalidades não intercambiáveis cujo agrupamento compromete a validade das sínteses de evidências e a tomada de decisão clínica. Derivações do trabalho: O protocolo foi publicado no BMJ Open (2024), garantindo rastreabilidade e reprodutibilidade. A tese fortalece o arcabouço teórico-prático da enfermagem intensiva pediátrica, com aplicações às classificações NANDA-I (Dor aguda 00132; Conforto prejudicado 00214; Ansiedade 00146), NIC (Terapia musical 4400) e NOC (Controle da dor 1605; Nível de conforto 2100; Nível de ansiedade 1211). Impacto social: A pesquisa alinha-se ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da Agenda 2030, particularmente à meta 3.8. Ao mapear TNF viáveis e de baixo custo, contribui para reduzir o sofrimento de crianças criticamente enfermas em diferentes contextos socioeconômicos. A distinção entre modalidades de diferente complexidade e custo favorece a adoção equitativa dessas estratégias. Os achados reforçam o direito da criança ao cuidado digno e centrado na família, e subsidiam a formulação de políticas e protocolos assistenciais baseados em evidências para o cuidado intensivo pediátrico.