O Estatuto da Teoria Do Cérebro Relativístico: paradigma ou perspectivismo? Uma investigação crítica onto-epistemológica da neurociência cognitiva contemporânea
Neurociência Cognitiva; Filosofia da Mente; Epistemologia; Ontologia; Emergentismo; Teoria do Cérebro Relativístico.
A afirmação reducionista “somos nosso cérebro” sintetiza um paradigma hegemônico na neurociência cognitiva, cujos pressupostos ontológicos e epistemológicos carecem de um escrutínio filosófico rigoroso. Diante dessa lacuna, esta tese investiga o estatuto onto-epistemológico da Teoria do Cérebro Relativístico (TCR) de Miguel Nicolelis, avaliando se ela se configura como um novo paradigma científico ou como uma perspectiva científica. A investigação, de natureza teórico-filosófica, constrói uma estrutura analítica baseada em um alicerce metafísico materialista, da qual se desdobram dois eixos: a ontologia (de processo e emergentista) e a epistemologia (naturalizada). Os resultados demonstram que a TCR, embora não atinja o status de paradigma kuhniano por falta de uma matriz disciplinar consolidada, encontra sua melhor definição como uma perspectiva científica no sentido de Giere, sendo fundamentalmente compatível com uma ontologia de processo. Como corolário desta análise, propomos a reconceitualização da teoria como “Teoria do Cérebro Perspectivístico (TCP)”, nomenclatura que melhor capta sua natureza epistemológica. Concluímos que a TCR representa uma alternativa robusta e não-reducionista ao paradigma vigente, cujo potencial exige um diálogo futuro com a fenomenologia, a física da complexidade e a Epistemologia do Sul.