FEITO DE PROTEÍNAS E PEPTÍDEOS NO TRATAMENTO DE DIABETES MELLITUS
Tamarindus indica L. Hiperglicemia. Simulação computacional. Revisão sistemática. Danio rerio.
O diabetes mellitus (DM) é um problema de saúde pública, caracterizado pela hiperglicemia. O objetivo do presente estudo foi avaliar o efeito de proteínas e peptídeos no tratamento de DM. Esta tese está dividida em três capítulos. O primeiro foi realizado o protocolo da revisão sistemática (RS) com o registrado no International Register of Prospective Systematic Review (PROSPERO) e norteou a construção da RS apresentada no segundo capítulo com o objetivo de responder à pergunta de partida: quais peptídeos ou proteínas foram estudados in sílico para o tratamento de diabetes mellitus? Os artigos foram selecionados de acordo com PECOs (População, Exposição e Contexto) nas bases de dados PubMed, ScienceDirect, Scopus, Web of Science, Virtual Health Library e EMBASE. Foram incluídos 5 artigos e a avaliação do risco de viés foi realizada utilizando a ferramenta adaptada Strengthening the Reporting of Empirical Simulation Studies (STRESS). Os resultados mostraram que proteínas e/ou peptídeos extraídos de fontes naturais se ligam in sílico a alvos terapêuticos como α-amilase, dipeptidil peptidase IV (DPP-IV), α-glicosidase, receptor de insulina (RI), transportador de glicose tipo 2 (GLUT-2) e proteína transportadora de sódio-glicose (SGLT1), e in vivo apresentam redução de glicemia de jejum, melhora da morfologia pancreática, regulação positiva da secreção e expressão de insulina, redução ou manutenção de insulina plasmática, diminuição em HOMA-IR, aumento de HOMA-β e manutenção de GLP-1. No terceiro capítulo, foi realizado um estudo pré-clínico para avaliar o efeito do inibidor de tripsina de semente de tamarindo (ITT) em um modelo de peixe-zebra com DM induzida por dieta composta por Artemia sp., a fim de elucidar o mecanismo de ação desse inibidor pela via de glicação e insulino-like. O diagnóstico de DM foi feito utilizando Accu-Chek®, para dosagem de glicemia de jejum, antes do início dos tratamentos. Os animais (n = 140) foram divididos em quatro grupos (n = 35): 1) animais saudáveis sem tratamento e normoalimentados, 2) animais com DM sem tratamento e hiperalimentados, 3) animais com DM tratados com 25 mg de ITT/L e hiperalimentados e, 4) animais com DM, tratados com 25 mg de ITT/L e normoalimentados durante 10 dias. Foi verificada glicemia de jejum de 62,33 mg/dL (2,52) para animais normoalimentados e 104,70 mg/dL (4,16) para os animais hiperalimentados pré-tratamento (p = 0,008). Após o tratamento, verificou-se redução significativa (p < 0,01) de glicemia de jejum e HOMA-IR e aumento significativo (p < 0,01) de HOMA-β nos animais tratados com ITT e hiperalimentação em relação ao grupo controle DM2, mas esses valores não tiveram diferença significativa (p > 0,05) para o controle saudável. Enquanto foi observado aumento e redução significativos (p < 0,01) de insulina e índice de QUICKI, respectivamente, dos animais com DM2 sem tratamento e tratados em relação aos controles saudáveis. Não foi verificada alteração significativa (p > 0,05) de glicação in vitro da albumina sérica bovina para as concentrações de ITT de 1,4 e 5 mg, em contrapartida a concentração de 25 mg de ITT aumentou significativamente (p < 0,01). Esse achado não se manteve ao verificar a formação de AGEs in vivo (p > 0,05) entre os grupos analisados. Sugere-se que o ITT atua como insulino-like como demonstrado na regulação positiva (p > 0,05) da expressão de RI e não atue na via de glicação de proteínas. Sendo assim, ainda são necessários mais estudos para elucidação completa dessa via de sinalização.