IMPACTOS CLÍNICOS E NUTRICIONAIS DO TEMPO DE UTILIZAÇÃO DO ADITIVO MULTICOMPONENTE NA DIETA DE RECÉM-NASCIDOS PREMATUROS
Recém-nascido prematuro, Leite humano, Nutrição infantil, Terapia Nutricional, UTI Neonatal
A prematuridade é considerada um problema de saúde pública devido ao risco aumentado para morbimortalidade neonatal. Os recém-nascidos pré- termo (RNPTs) apresentam maior risco para complicações e nutricionais, que tornam a terapia nutricional um componente essencial da assistência neonatal. Nesse contexto, o leite humano (LH) constitui a primeira escolha para a alimentação, entretanto, sua composição nem sempre é suficiente para atender às elevadas demandas nutricionais dessa população, tornando necessária a utilização de aditivo multicomponente. Embora os benefícios da aditivação do LH sejam amplamente descritos, ainda são escassas as evidências sobre a influência do tempo de utilização nos desfechos antropométricos e clínicos. O objetivo deste estudo foi avaliar a influência do tempo de utilização do aditivo multicomponente sobre o ganho de peso, o tempo de internação e a ocorrência de DMOP e RCEU em RNPTs internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Trata-se de um estudo quantitativo, do tipo coorte prospectiva, realizado na Maternidade Escola Januário Cicco, em Natal/RN. Foram incluídos RNPTs com idade gestacional (IG) < 32 semanas e peso ao nascimento (PN) < 2500 g. Foram coletados dados de nascimento (sexo, PN e IG ao nascer), de evolução clínica (diagnóstico de sepse, displasia broncopulmonar (DBP) e DMOP) e nutricional (tipo de alimentação enteral predominante) e da alta da UTIN (peso de alta, ocorrência de RCEU, dias de internação, tempo de utilização do aditivo multicomponente em dias). O tempo de utilização do aditivo multicomponente foi categorizado em < 15 e ≥ 15 dias de uso, com base no tempo médio de utilização identificado na amostra. Os dados foram analisados estatisticamente por testes de comparação entre grupos, modelos lineares generalizados e análise de sobrevivência Kaplan-Meier. A amostra incluída foi de 54 RNPTs, sendo 55,6% do sexo masculino, 70,4% classificados como muito prematuros segundo IG ao nascer e 40,7% com muito baixo peso ao nascer. A sepse foi a intercorrência clínica mais prevalente (59,3%; n=32). RNPTs com menor PN e aqueles que desenvolveram DMOP, RCEU e DBP apresentaram maior ganho de peso total acumulado e maior tempo de internação (p <0,05). Os RNPTs que receberam o LH aditivado apresentaram maior ganho de peso total quando comparados aos que não receberam a aditivação do LH (p=0,0002). A avaliação do tempo de utilização do aditivo multicomponente não mostrou associação entre os desfechos avaliados (p >0,05), contudo, foi observada interação entre DBP e IG ao nascer, associada a menor ganho de peso total acumulado. Na análise da curva de sobrevivência de Kaplan-Meier e do teste de Log-rank, os RNPTs classificados no grupo que utilizou o aditivo multicomponente por período < 15 dias apresentaram maior probabilidade de receber alta da UTIN, especialmente entre o 45 e 75º dia de internação. Esse resultado é compatível com o menor tempo de permanência na UTIN observado nesse grupo. Os achados sugerem que os benefícios da aditivação do LH estão relacionados principalmente à sua utilização, e não ao prolongamento de seu uso, reforçando a natureza multifatorial do crescimento pós-natal e da evolução clínica de RNPTs.