Perovskitas Halogenadas Para Aplicações Fotovoltaicas: Estudo Composicional, Dopagem E Desenvolvimento De Materiais Livres De Chumbo.
Perovskitas Halogenadas; Células Solares; Síntese e Modificação Estrutural; Propriedades Optoeletrônicas
As perovskitas halogenadas têm sido consideradas uma das mais importantes classes de materiais para aplicações fotovoltaicas, apresentando avanços significativos nas últimas décadas em termos de eficiência de conversão, propriedades optoeletrônicas e versatilidade composicional, o que possibilita o ajuste de parâmetros estruturais e eletrônicos para aplicações em dispositivos solares. Nesse contexto, esta tese aborda de forma integrada os fundamentos teóricos, a revisão da literatura e o desenvolvimento experimental de perovskitas aplicadas a células solares. Inicialmente, são discutidos os conceitos fundamentais relacionados à estrutura eletrônica, às propriedades ópticas e aos mecanismos físicos envolvidos na operação de dispositivos fotovoltaicos, fornecendo a base para a interpretação dos resultados subsequentes. Em seguida, é apresentado um panorama da evolução das perovskitas em células solares, abrangendo sistemas híbridos orgânico-inorgânicos, composições totalmente inorgânicas contendo chumbo e, mais recentemente, alternativas livres de chumbo, com ênfase nos desafios associados à estabilidade e à toxicidade. No contexto experimental e teórico, foi investigada a dopagem de bismuto no sítio B das perovskitas CsPbI3 e CsPbBr3 por meio de cálculos baseados na Teoria do Funcional da Densidade (DFT), sendo o estudo computacional empregado para prever a estrutura de bandas dos materiais, posteriormente validada por caracterizações experimentais. A incorporação de Bi promoveu redução significativa do bandgap, atingindo valores de 1,79 eV, correspondendo a uma diminuição de até 30% em relação às perovskitas não dopadas, além de ampliar a faixa de absorção no espectro UV-Vis. A dopagem também resultou em valores de fator de tolerância mais próximos de uma unidade, indicando maior estabilidade estrutural da fase cúbica. Com relação à perovskita CsPbI3, a presença do dopante contribuiu para a estabilização da fase black em filmes finos por até 60 min em condições de umidade elevada (>50%), apresentando melhoria na estabilidade estrutural do material. Foram ainda avaliadas as modificações estruturais e as propriedades eletrônicas e ópticas dos materiais obtidos. Por fim, é explorado o desenvolvimento da perovskita totalmente inorgânica e livre de chumbo CsMnBr2I como material fotoabsorvedor. O composto apresentou bandgap de 1,83 eV e evidências de mistura de fases envolvendo CsMnBr3 e CsMnI3 em aproximadamente 10% da fração cristalina. A análise espectroscópica indicou desdobramento octaédrico Δo de 5.778 cm-1 para o campo [MnX6]4-, característico de alto spin e confirmando o efeito nefelauxético associado ao caráter covalente da ligação Mn–X. O material foi empregado como camada fotoabsorvedora em um dispositivo fotovoltaico, resultando em eficiência de conversão de potência (PCE) de 0,77% em testes realizados sob simulador solar. Os resultados obtidos contribuem para a melhoria do entendimento da correlação entre composição, estrutura e propriedades em perovskitas halogenadas e para a consolidação de alternativas mais estáveis e ambientalmente adequadas para aplicações solares.