Aspidosperma nitidum Benth e Aspidosperma pyrifolium Mart. (Apocynaceae): Estudo fitoquimico, avaliacao de atividade biologica e revisao dos dados de RMN sobre alcaloides b-carbolina.
Aspidosperma nitidum; Aspidosperma pyrifolium; alcaloides indólicos; b-carbolinas; Anti-inflamatório
O gênero Aspidosperma (Apocynaceae), destaca-se pela presença de alcaloides indólicos, caracterizados por uma diversidade estrutura e atividades biológicas interessantes. As espécies Aspidosperma nitidum Benth e Aspidosperma pyrifolium Mart., são conhecidas como carapanaúba e pereiro, respectivamente. Nativas da região amazônica e da caatinga, sendo utilizadas na medicina popular principalmente por suas propriedades anti-inflamatórias, antimalárica e antimicrobiana. O presente trabalho tem o objetivo do estudo fitoquímico das espécies A. nitidum e A. pyrifolium, bem como investigar a segurança da utilização do extrato, as propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes do extrato hidroetanólico da casca do caule de Aspidosperma nitidum Benth (ANCCE). Além da revisão da literatura de alcaloides indólicos do tipo b-carbolinas. No entanto, o presente trabalho está dividido em capítulos: No capítulo I: Apresentamos uma breve introdução, a fundamentação teórica sobre as espécies estudadas e os objetivos deste trabalho. No capítulo II: O estudo de desreplicação das espécies de A. nitidum e A. pyrifolium, pelas técnicas de CLUE-Q-TOF-EM e CG-EM. Contudo, apenas para a espécie de A. pyrifolium foi utilizado os dois métodos, apesar disso, propomos a fragmentação dos alcaloides indólicos anotados, em ambas as técnicas. Este estudo, possibilitou a anotação de 22 (vinte e dois) alcaloides indólicos, assim como a verificação de padrões de fragmentação, na maioria desses alcaloides. No capítulo III: O estudo fitoquímico e avaliação da atividade anti-inflamatória e cicatrizante do extrato hidroetanólico da casca de espécie Aspidosperma nitidum Benth. Este projeto, realizado em parcerias com o Laboratório de Tecnologia e biotecnologia farmacêutica – TECBIOFAR e a Universidade Federal do Ceará - UFC, possibilitou o isolamento de uma isocumarina e do glicosídeo sacarose, conhecidos na literatura, contudo, isolados pela primeira vez na espécie de A. nitidum e a proposta de um novo composto derivado de 1-benzazepina glicosilado, identificado pela primeira vez na literatura. Na avaliação da atividade biológica, foram realizados os ensaios de MTT e hemolítico, em todas as concentrações avaliadas do extrato, demonstraram não ser citotóxicos. O modelo de toxicidade aguda também não evidenciou sinais de toxicidade ou alterações significativas no comportamento, nem nos parâmetros bioquímicos e hematológicos após a utilização do extrato. No modelo edematogênico, o extrato de A. nitidum reduziu significativamente a percentagem de edema, bem como os níveis de MPO e de citocinas pró-inflamatórias. Da mesma forma, revelou ser eficaz na diminuição da migração de leucócitos (principalmente polimorfonucleares), proteínas totais, MPO e concentrações de citocinas no ensaio de bolsa de ar induzido por zimosam. Além disso, o extrato revelou um efeito cicatrizante, reduzindo a área da ferida cutânea. No capítulo IV: Apresentamos a revisão de dados de RMN de alcaloides do tipo b-carbolina, isolados de origem natural, com atividades biológicas ou não, relatados na literatura, no período de 1992 a 2023, disponíveis na base de dados Scifinder e ScienceDirect. Este trabalho possibilitou catalogar 300 alcaloides indólicos do tipo b-carbolinas, juntamente com seus dados de RMN 1D. Esses alcaloides foram subdivididos em 4 classes principais e em até 13 subclasse, em consonância a sua diversidade estrutural. Dentre esses alcaloides, estão 82 bioativos, relatando a ocorrência em 92 espécies e 50 famílias. Esse trabalho auxiliará, em estudos de desreplicação, bem como na determinação estrutural desses alcaloides. Todos os trabalhos apresentados, evidenciam a importância das espécies de Aspidosperma no uso popular, bem como a diversidade estrutura dos alcaloides indólicos existentes no gênero, como futura investigação para potenciais fármacos.