VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL II: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO A PARTIR DO GÊNERO TEXTUAL CHARGE
Variação linguística, ensino de língua portuguesa, preconceito linguístico, charge, pesquisa-ação
A variação linguística é um fenômeno inerente às línguas, logo, inexiste sociedade cuja língua seja homogênea e estável; não obstante, quanto mais dinâmica e multifacetada a sociedade se apresenta, mais heterogênea, diversificada e mutável será sua língua. Trabalhar a variação linguística nas aulas de língua portuguesa contribui para combater preconceitos linguísticos e valorizar as diferentes formas de expressão. Nesse contexto, nosso objeto de pesquisa diz respeito ao trabalho com variação linguística nas aulas de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental II. O objetivo geral deste trabalho é desenvolver estratégias para possibilitar aos alunos compreender e reconhecer a variação linguística como um fenômeno inerente à língua de modo a combater o preconceito linguístico. Em termos específicos, nos propomos a: compreender o grau de conhecimento dos alunos sobre o conceito de variação linguística; promover a valorização da língua cotidiana do aluno, especialmente sua expressão oral; propor aos alunos a produção de charges que evidenciem a variedade linguística e, por fim, debater questões pertinentes à valorização da diversidade linguística como forma de combater o preconceito linguístico. O cenário para esta pesquisa foi uma escola estadual da cidade de Fortaleza-ce, cujos participantes são alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. Quanto à metodologia da nossa proposta, trata-se de uma pesquisa-ação fundamentada nos pressupostos teóricos de Thiollent (2011), Bogdan, Biklen, (1994) e Moreira e Caleffe (2006) com abordagem qualitativo-interpretativista na geração de dados. Foi desenvolvida uma proposta de intervenção, por meio de uma sequência didática conforme Dolz, Noverraz, Schneuwly (2004). Nosso referencial teórico é estruturado nos estudos sociolinguísticos de Bagno (1999; 2002; 2007; 2011; 2015), Bortoni-Ricardo (2004; 2005; 2023), Antunes (2007), Mollica (2003), Coelho (2007), Coelho et al (2012) e Labov (2008) que discutem a heterogeneidade linguística variação e mudança e o preconceito linguístico. No que se refere ao estudo de texto e gênero serviram de referencial teórico as pesquisas desenvolvidas por Antunes (2009; 2010), Marcuschi (2008), Dolz e Schneuwly (2004), Koch (2003), Valle (2013) e Romualdo (2000), dentre outros. Os resultados obtidos demonstram que a proposta de intervenção didática obteve êxito em seus objetivos, tendo em vista que os alunos demonstraram compreender as variações linguísticas como fenômenos naturais das línguas. Identificou-se essa concepção através das discussões empreendidas em sala de aula, que contribuíram para melhorar a compreensão dos alunos sobre a diversidade linguística da língua portuguesa. Assim, os alunos reconheceram a necessidade de se construir um ambiente escolar mais inclusivo, respeitoso e consciente da necessidade de se combater o preconceito linguístico.