SABERES DOS CONGOS DE COMBATE NA EDUCAÇÃO MUSICAL: contribuições da educação patrimonial
Educação Musical; Educação Patrimonial; Cultura Popular Afro-Brasileira; Patrimônio Cultural Imaterial; Congos de Combate.
Esta pesquisa insere-se no campo da Educação Musical e investiga as possibilidades de articulação entre ensino de música, patrimônio cultural e cultura popular afro-brasileira na Educação Básica, tomando como referência os Congos de Combate de São Gonçalo do Amarante/RN. Parte-se da compreensão de que as manifestações tradicionais constituem espaços de produção, transmissão e ressignificação de saberes, memórias, identidades e experiências coletivas, configurando-se como referências essenciais para a construção de práticas educativas culturalmente contextualizadas. O estudo teve como objetivo elaborar, aplicar e analisar uma sequência didática fundamentada nessa manifestação, à luz da educação patrimonial, buscando compreender suas contribuições para o contexto da escola pública. A investigação ancora-se nos pressupostos da educação musical e patrimonial, da cultura popular, da interculturalidade crítica, da decolonialidade e da educação das relações étnico-raciais. Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa do tipo pesquisa-ação, desenvolvida junto a estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Rômulo Wanderley, em Natal/RN. Os procedimentos envolveram levantamento bibliográfico, observação participante, entrevistas, diário de campo, além da aplicação da sequência didática e realização de grupo focal. Os resultados evidenciaram que a aproximação entre música e patrimônio, mediada pelos saberes dos Congos de Combate, favoreceu a ampliação do repertório cultural dos discentes, o reconhecimento das contribuições afro-brasileiras, a valorização do patrimônio local e o fortalecimento das relações entre escola e comunidade. Conclui-se que os Congos de Combate constituem uma referência pedagógica relevante para a construção de práticas críticas, plurais e contextualizadas, contribuindo para a valorização da diversidade, para a justiça cognitiva e para o reconhecimento de múltiplas formas de produção de conhecimento na escola.