Angiospermas de uma Floresta Periurbana Estacional Semidecidual em um campus universitário no Leste Potiguar
Checklist florístico, Herbário virtual, Biodiversidade, Taxonomia, Mata Atlântica.
Este trabalho teve como objetivo caracterizar a flora de angiospermas da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ/UFRN), no município de Macaíba (RN), por meio da elaboração de um checklist florístico baseado em coletas em campo e compilação de registros de herbário e da análise da composição, distribuição e diversidade das espécies em diferentes subáreas do campus. Os dados foram obtidos a partir de consultas a plataformas de herbários e submetidos à curadoria taxonômica, incluindo padronização nomenclatural e remoção de duplicatas. Foram registradas 321 espécies, distribuídas em 226 gêneros e 88 famílias para a EAJ, com ocorrência nas subáreas Geral (175 espécies), Mata do Bebo (121) e Mata do Olho d’Água (67). As famílias mais representativas foram Fabaceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Asteraceae, Malvaceae e Poaceae, enquanto os gêneros com maior número de registros foram Myrcia, Eugenia, Psidium, Utricularia e Erythroxylum. As espécies mais frequentes incluíram Myrcia multiflora, Psidium schenckianum, Psidium oligospermum, Erythroxylum simonis e Myrcia guianensis. A distribuição das espécies evidenciou elevada proporção de exclusividade, com 279 espécies (86,9%) ocorrendo em apenas uma subárea, e apenas 42 espécies (13,1%) compartilhadas entre duas ou mais áreas. A subárea Geral apresentou o maior número de espécies exclusivas (134), seguida pela Mata do Bebo (90) e Mata do Olho d’Água (55). Os índices de similaridade de Jaccard indicaram baixa similaridade florística entre as subáreas, com valores variando de 0,052 a 0,117. Os índices de diversidade apontaram elevada diversidade nas áreas analisadas, com diferenças na distribuição de abundância das espécies. Foram identificadas 35 novas ocorrências para o estado, obtidas a partir deste levantamento Os resultados demonstram que a organização da flora está associada à heterogeneidade ambiental e ao contexto da paisagem. Conclui-se que a estrutura florística da EAJ é influenciada pela variação de condições ambientais locais e pelo grau de modificação da paisagem, afetando a distribuição das espécies e a organização dos fragmentos vegetacionais.