Pegadas ambientais do consumo alimentar, Determinantes Sociais em Saúde e práticas alimentares de adultos e idosos: Estudo Brazuca Natal
Saúde única. Indicadores de Sustentabilidade. Dieta. Práticas Alimentares Saudáveis. Determinantes sociais da saúde.
Introdução: Os reflexos de degradação ambiental decorrentes das atividades humanas têm demandado a busca pela promoção da Saúde Única, que une o cuidado humano, animal e do ambiente, de forma conjunta. Os sistemas alimentares exercem uma importante influência na capacidade dos limites planetários. Assim, conhecer o impacto ambiental do consumo alimentar de indivíduos e os fatores que podem influenciá-lo, é fundamental à promoção de dietas saudáveis e sustentáveis. Objetivos: Avaliar as pegadas ambientais do consumo alimentar de adultos e idosos e verificar sua associação com Determinantes Sociais em Saúde e os marcadores de adesão às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB). Metodologia: Diferentes métodos foram utilizados neste estudo. Foi realizada uma Revisão Sistemática da Literatura para conhecer as pegadas ambientais de adultos e idosos em estudos populacionais ao redor do mundo. Nos estudos transversais foram calculadas as pegadas de carbono (PC), hídrica (PH) e ecológica (PE) do consumo alimentar de adultos e idosos do Brazuca Natal/RN baseado no recordatório alimentar de 24 horas. Foi realizada uma regressão logística multinomial para analisar a associação entre as pegadas ambientais e os Determinantes Sociais em Saúde, obtidos por variáveis sociais e econômicas. Para avaliar a associação entre as pegadas ambientais da dieta e os marcadores de adesão às práticas alimentares, obtidos por questionário validado, foi utilizada Análise Múltipla. Resultados: Os achados da revisão sistemática demonstraram que as pegadas ambientais podem ser influenciadas por fatores relacionados a sua mensuração e foram mais altas entre os homens e adultos. No 1º estudo transversal, foi identificado que pessoas do sexo masculino (PC: OR = 4,45; IC = 2,61 – 7,57; PH: OR = 5,18; IC = 2,99 – 8,96; PE: OR = 4,13; IC = 2,45 – 6,98) e faixa etária adulta (PC: OR = 2,32; IC = 1,38 - 3,91; PH: OR = 2,64; IC = 1,55 – 4,49; PE: OR = 1,77; IC = 1,06 – 2,94) se associaram com maiores pegadas ambientais (PC, PH e PE). A menor renda aumenta as chances de PH intermediária da dieta (OR = 1,93; IC = 1,08 – 3,45), enquanto não ter acesso diário à água tratada aumenta as chances de ter maior PH (OR = 0,46; IC = 0,22 – 0,95). No 2º estudo transversal, o aumento das pegadas apresentou associação com os seguintes marcadores: Frequentar lanchonetes e restaurantes fast-food (PC: RP = 1,80; IC = 1,20 – 2,68), não participar do preparo dos alimentos (PH: RP = 1,74; IC = 1,39 – 2,18; PE: RP = 1,40; IC = 1,48 – 2,40) e pular refeições principais (PE: RP = 1,50; IC = 1,10 – 2,04). Considerações finais: Os homens e adultos apresentam maiores pegadas ambientais da dieta. A menor renda e o acesso limitado à água tratada podem impactar diretamente essas pegadas. Além disso, frequentar fast-foods, não participar do preparo dos alimentos e pular refeições destacam-se como práticas alimentares que contribuem para o aumento dessas pegadas. Tais evidências ressaltam que políticas e ações para reduzir o impacto ambiental negativo devem ser pautadas na viabilização do acesso aos alimentos saudáveis e sustentáveis.