Efeitos da percepção visual, atenção e aspectos culturais na evolução da cegueira botânica
Cegueira botânica; disparidade de consciência vegetal; educação não formal; museus de ciências; flora do Rio Grande do Norte; espaço não formal de ensino
As plantas desempenham papel fundamental na manutenção da vida na Terra, porém os seres humanos frequentemente demonstram dificuldade em perceber sua presença e importância no ambiente, fenômeno conhecido como cegueira botânica ou, mais recentemente, impercepção botânica ou disparidade de consciência vegetal. Esse fenômeno tem sido associado a fatores fisiológicos relacionados ao processamento visual humano, bem como a influências culturais e educacionais que privilegiam a atenção aos animais em detrimento dos organismos vegetais. Paralelamente, teorias como a biofilia sugerem a existência de uma afinidade inata dos seres humanos com a natureza, evidenciando uma relação complexa e aparentemente paradoxal com as plantas. Neste contexto, a presente tese tem como objetivos e está estruturada em três capítulos: (1) revisar a literatura acerca da hipótese biofilia-fitofilia, cujos resultados indicam que a biofilia não se manifesta de maneira homogênea entre todos os componentes da natureza, havendo evidências de uma menor afinidade dirigida às plantas quando comparadas aos animais, o que pode contribuir para a compreensão da cegueira botânica; (2) testar a influência de aspectos culturais, por meio de uma exposição museológica sobre a flora do Rio Grande do Norte, no conhecimento botânico e na percepção das plantas por estudantes do ensino médio. O estudo é realizado no Museu de Ciências Morfológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, por meio da exposição “Flora do Rio Grande do Norte: cores e olhares”, composta por fotografias, exemplares vivos e materiais botânicos diversos. Como resultados deste capítulo destaca-se a montagem da exposição, a elaboração e aplicação de questionários estruturados antes e depois da visita guiada, focada em um público de aproximadamente 200 estudantes, com idades entre 14 e 17 anos. Ao todo já foram aplicados 42 questionários. Estão sendo avaliados conhecimentos relacionados à morfologia vegetal, polinização, flora regional, vegetação da Caatinga, importância ecológica das plantas e atitudes em relação ao universo vegetal. Os dados encontram-se em fase de tabulação e análise estatística, por meio de procedimentos descritivos e inferenciais, para verificar possíveis mudanças associadas à intervenção educativa. (3) No capítulo 3, ainda em fase de desenvolvimento, será testada a hipótese de que os processos de memória influenciam a percepção das plantas. Para isso, serão conduzidos experimentos envolvendo tarefas de recordação livre e reconhecimento de imagens de plantas, fungos, objetos e animais, com o objetivo de investigar possíveis diferenças no armazenamento e recuperação dessas informações. Espera-se que os resultados contribuam para a compreensão dos mecanismos cognitivos associados à cegueira botânica e à menor saliência atribuída aos organismos vegetais.