DIVERSIDADE DE BORBOLETAS (LEPIDOPTERA: PAPILIONOIDEA) NO RIO GRANDE DO NORTE: ESTADO DA ARTE, TAXONOMIA, DISTRIBUIÇÃO E NOVOS REGISTROS
Lepidopterofauna; Entomofauna Neotropical; Biogeografia de Papilionoidea.
As borboletas, além de serem importantes ecologicamente e carismáticas, são ótimas bioindicadoras por seu ciclo de vida relativamente curto, sensibilidade a microhabitats e a guilda frugívora é considerada de fácil amostragem. No Brasil, a região Nordeste ainda carece de coletas de borboletas, com fortes déficits de conhecimento taxonômico ou Lineano (DL) e de distribuição ou Wallaceano (DW). Ambos são considerados impedimentos para a conservação das espécies. O Rio Grande do Norte está inserido na Caatinga e no limite norte da Mata Atlântica, no nordeste brasileiro. O presente trabalho teve por objetivos: i) inventariar a fauna de borboletas do RN, compilando registros e, sugerindo e realizando coletas em lacunas amostrais; e ii) produzir uma checklist anotada das borboletas com ocorrência no RN, composta por informações biológicas para as Famílias Papilionidae e Pieridae. As coletas foram realizadas na Floresta Nacional (FLONA) de Açu, uma unidade de conservação na Caatinga. Ao todo, 3.155 espécimes foram analisados pertencentes a 192 espécies identificadas para o estado. A atual lista propõe 65 novos registros de espécies, representando um aumento de 51% em relação ao número anterior. Dentre eles, dois novos registros para o Centro de Endemismo de Pernambuco: Periplacis menander (Stoll, 1780) e Eurytides telesilaus (C. Felder & R. Felder, 1864). A espécie rara Strymon cestri (Reakirt, [1867]) também está entre os novos registros. A Região Agreste do RN foi apontada como prioritária para coletas levando em consideração a importância biológica da região, alto DL e a região de contato entre domínios. A guilda nectarívora, a partir dos números apresentados e comparação com literatura, foi apontada como a mais deficitária de informação taxonômica. Na FLONA, 2.034 indivíduos distribuídos em 45 espécies foram registrados. A espécie Sertania lambedor (P. Jauffret, J. Jauffret & Pessôa, 2008) teve seu primeiro registro e até então foi coletada exclusivamente na FLONA. A riqueza de espécies foi maior na estação chuvosa, confirmando a tendência para a Caatinga. A diagnose, informações de ocorrência, sazonalidade e imagens diagnósticas foram desenvolvidas para 18 espécies (n=13 para Pieridae; n=5 para Papilionidae).