EXPANSÃO DA REDE FEDERAL DE ENSINO SUPERIOR NO BRASIL: DISTRIBUIÇÃO SOCIOESPACIAL, EVOLUÇÃO DO PERFIL DOCENTE E POLÍTICAS PÚBLICAS NO PERÍODO 2000-2024
Expansão do Ensino Superior; Universidades Federais; Perfil Docente; Interiorização; Políticas Públicas Educacionais.
Nas últimas décadas, o ensino superior brasileiro atravessou profundas transformações estruturais impulsionadas por políticas públicas de expansão e democratização. A presente dissertação investiga de que modo as políticas de expansão da rede federal (2000-2024) reconfiguraram a distribuição socioespacial das universidades e o perfil de qualificação e demográfico de seu corpo docente. A pesquisa utiliza uma abordagem quantitativa e descritiva, baseada na análise de microdados do Censo da Educação Superior (Inep) e dados demográficos do IBGE, articulando a Demografia Espacial à estatística descritiva. Os resultados demonstram que programas como o REUNI foram determinantes para a interiorização da rede, elevando a presença de campi federais de 75 municípios em 2000 para 253 em 2024, rompendo com a concentração histórica nas capitais. Paralelamente à expansão física, observou-se uma expressiva evolução qualitativa, caracterizada pela "doutorização" do corpo docente: a proporção de professores com doutorado saltou de cerca de 30% no início do período para 85% em 2024, impulsionada por políticas de incentivo à qualificação e planos de carreira. A análise demográfica revela um corpo docente em processo de envelhecimento, majoritariamente branco, mas com tendência de aumento na participação feminina. Conclui-se que a expansão da rede federal cumpriu um duplo papel: democratizou geograficamente o acesso ao ensino superior e promoveu o desenvolvimento regional ao fixar capital humano de alta titulação no interior do país, embora desafios relacionados à diversidade racial docente ainda persistam.