Tendências e efeitos de idade-período-coorte na prevalência de diabetes mellitus no Brasil, 2006-2021.
Diabetes tipo 2; Transição demográfica; Modelo Idade-Período-Coorte (APC), prevalência.
Este estudo aborda a prevalência do diabetes mellitus tipo 2 no Brasil à luz das transições demográfica e epidemiológica que o país vivencia. A transição demográfica, marcada pela queda das taxas de fecundidade e mortalidade, impulsionou o envelhecimento populacional, o que, aliado à transição epidemiológica, caracterizada pela substituição das doenças infecciosas por doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), configura um novo cenário de morbimortalidade. Entre essas DCNTs, o diabetes tipo 2 destaca-se por seu crescimento acelerado, especialmente entre indivíduos com 40 anos ou mais, grupo-alvo desta pesquisa. A doença é multifatorial, relacionada a determinantes sociais da saúde, estilo de vida e envelhecimento. Para investigar suas tendências no Brasil, a pesquisa utiliza dados do Vigitel (2006–2021), sistema de vigilância que monitora fatores de risco para DCNTs em adultos das capitais brasileiras. A análise emprega o modelo Idade-Período-Coorte (APC), que permite diferenciar os efeitos do envelhecimento (idade), de mudanças contextuais ao longo do tempo (período) e das experiências vividas por diferentes gerações (coorte). Os resultados contribuem para compreender a dinâmica temporal do diabetes tipo 2 no país e fornecem subsídios importantes para o planejamento de políticas públicas voltadas à prevenção e ao controle da doença. Considerando o impacto crescente do diabetes sobre os sistemas de saúde e a população idosa, o estudo reforça a necessidade de estratégias inter setoriais para enfrentar os desafios impostos pela concomitância das transições epidemiológica e demográfica.