ENSAIOS SOBRE DEMOGRAFIA ECONÔMICA: ESTRUTURA ETÁRIA, JANELA DE OPORTUNIDADE E DESEMPENHO ECONÔMICO NO SEMIÁRIDO SETENTRIONAL
estrutura etária; janela demográfica; Índice de Moral Local; modelagem espacial; Semiárido Setentrional.
Esta tese analisa a dinâmica espacial da estrutura etária e da janela de oportunidade; e estima os efeitos dessa estrutura no desempenho econômico do Semiárido Setentrional (SemSet). Ela é composta por quatro ensaios. O primeiro caracteriza a evolução da estrutura etária e o aproveitamento da janela decorrente, mediante o Índice de Emprego Formal (IEF), comparando o SemSet com o Semiárido Meridional (SemMer) e o restante do país (1970-2022). O segundo mapeia da dependência espacial desse processo entre os municípios do SemSet em 2022, via Índice de Moral Local, e descreve a evolução do emprego formal e do IEF, considerando um SemSet jovem e outro envelhecido (2000-2022). O terceiro discute as variações do emprego formal e da remuneração nos municípios do SemSet, comparando os contextos de choque (2020) e pós-choque da pandemia (2021) com o anterior (2019). O quarto ensaio estima o efeito da estrutura etária no PIB per capita (proxy do desempenho econômico), utilizando modelos de defasagem e de erro autorregressivo espacial para os anos 2000, 2010 e 2021. Embora com padrões históricos distintos, verificou-se que no SemSet, no SemMer e no resto do país, as taxas de crescimento populacional, e a estrutura etária convergiram. A janela de oportunidade no SemSet surgiu por volta de 2005, cerca de quinze anos depois de caracterizada fora do Semiárido. A evolução do IEF sugeriu: i) que o “bônus” se concretizou moderadamente até 2014, quando passou a ser desperdiçado; ii) manutenção do diferencial inter-regional: em 2000, o IEF fora do Semiárido era três vezes o observado no SemSet (8,79%, ante 26,46%). Em 2021, embora menor, o hiato se manteve (17,11%, ante 37,81%); iii) fragilidade ainda maior nos estratos intrarregionais; em 2021 ele foi 12,37% no SemSet jovem e 11,80% no envelhecido, denotando baixo aproveitamento da janela de oportunidade. O terceiro ensaio aferiu baixa correlação espacial nas variações do emprego e remuneração, tanto em 2020, quanto em 2021. A despeito da heterogeneidade identificada, a quantidade de municípios com variação positiva no emprego formal, passou de 234 no contexto de choque, para 618 no pós-choque, sugerindo recuperação. Finalmente, o quarto ensaio estimou que uma redução de 10% na dependência de jovens explica, em média, 6,79%, 6,76% e 8,72% do aumento no PIB per capita de 2000, 2010 e 2021, respectivamente. Um aumento de 10% na dependência de idosos influenciou negativamente em 6,27% em 2010 e 8,88% em 2021, ante 3% em 2000. Ao mesmo tempo, um acréscimo de 10% na razão entre a população de 30 a 49 anos e o restante da PIA, elevou o desempenho econômico em 6,58% em 2000, 10,20% em 2010 e 4,73% em 2021. Assim, os resultados não rejeitam a hipótese de que a relação entre as dinâmicas demográfica e econômica variam com o tempo, o lugar e as circunstâncias e, portanto, não admitem generalizações, mas devem ser estudadas nas diferentes escalas.