A DISSIDÊNCIA DE GÊNERO NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS DE LAERTE COUTINHO: UMA CONSTELAÇÃO IMAGÉTICA DA SOCIEDADE DA CULTURA
Arte sequencial; Laerte Coutinho; solidariedade iconográfica ; transgeneridade e produção de sentido
As histórias em quadrinhos no Brasil se legitimaram como espaço para a abordagem de temas políticos importantes a serem pensados pela sociedade. Em 2004, a quadrinista Laerte Coutinho começou a desenhar seu personagem Hugo como Muriel, abrindo espaço para importantes discussões sobre transgeneridade, identidade e o lugar que as pessoas trans ocupam em nosso país. Com o suporte das teorias dos quadrinhos enquanto sistema de Thierry Groensteen (2015), sob a luz do materialismo histórico de Benjamin (2012) e dos mapas noturnos de Martín-Barbero (2004), esse trabalho propõe o desenho de uma constelação de quadrinhos criados pela quadrinista Laerte Coutinho ao longo de mais de 30 anos, com o intuito de entender de que forma essas obras permitiram a construção das personagens trans no contexto de um meio de comunicação de massa. O mapa proposto é traçado a partir da tira de humor da personagem Muriel (2004), criando caminhos para obras como Lingérie (1987), Muchacha (2010), Laertevisão (2007), A insustentável leveza do ser (1986), Silicone Blues (1992), Hugo para principiantes (2005), Eu, travesti (2008), O pequeno travesti (2014) e Manual do Minotauro (2008). As conexões entre as histórias em quadrinhos observadas são reforçadas por entrevistas concedidas pela autora sobre identidade de gênero e produção de arte sequencial para a revista Bravo (2010), revista Piauí (2013), revista Expressa (2019), Folha de São Paulo (2010), programa Roda Viva (2012, 2023) e o documentário “Laerte-se” (2017) de Eliane Brum e Lygia Barbosa.