A estetização da vigilância algorítmica: investigação a partir da proposta epistêmica da composteira de imagens
Estéticas da vigilância; vigilância algorítmica; visibilidade; plataformas digitais.
Aesthetics of surveillance; algorithmic surveillance; visibility; digital platforms.
Nesta investigação, indaguei acerca das formas pelas quais os regimes de visibilidade interferem na construção dos regimes de vigilância dos corpos na contemporaneidade. Também explorei as maneiras como as plataformas digitais mobilizam os desejos para a coleta de superávit comportamental, produto valioso na atual cultura capitalista de vigilância. Para tanto, é por meio dos eixos temáticos visibilidade, vigilância e corpo que dialoguei com as teorizações de Fernanda Bruno, Gilles Deleuze, Giselle Beiguelman, Grada Kilomba, Jonathan Crary, Michel Foucault e Paula Sibilia, dentre outros/as autores/as. Partindo dos aportes teóricos da filosofia da imagem de Georges Didi-Huberman, bem como do princípio-Atlas warburguiano, reúno um conjunto de imagens de temporalidades e suportes diversos que, ao serem reunidas em pranchas, ajudaram a pensar os pares ver e ser visto/a e vigiar e ser vigiado/a em articulação. Com isso, experimentei a abordagem metodológica de uma “arqueologia do saber visual” na construção do que inicialmente intitulei como Atlas Panoptes. Também realizei uma entrevista semi-estruturada com a liderança de um coletivo que propõe movimentos de resistência à vigilância distribuída, da qual afloraram três nós temáticos: 1) Lutas históricas; 2) Cosmopercepções contracoloniais e 3) Pensar as imagens por oposição. Esses eixos contribuíram para o questionamento da abordagem metodológica adotada, levando à proposição da metáfora da composteira, em vez da constelação, para o trabalho com as imagens, uma escolha que defendi estar melhor ajustada às particularidades das experiências multissensoriais, às epistemes plurais que emergem do Sul Global e ao trabalho com imagens audiovisuais. No percurso, adotei um olhar crítico perante ao que conceituei ser uma estetização da vigilância, ou vigilantização da estética, e às consequentes invisibilidades, hipervisibilidades e estereótipos que tal processo contribui para impulsionar, em ressonância com as proposições de Antônio Bispo dos Santos, Kate Crawford, Legacy Russell, Paola Ricaurte Quijano, Tarcízio Silva e Walter Mignolo. Por último, apontei para a relevância das estéticas da contravigilância, das tecnorresistências, dos bugs e glitches, que operam enquanto linhas de fuga estéticas, críticas e criativas à vigilância algorítmica, desestabilizando seus mecanismos de controle e expondo suas opacidades e fragilidades.