CAPITALISMO DE PLATAFORMA E COMUNICAÇÃO SINDICAL: TRANSFORMAÇÕES E DESAFIOS PARA OS NOVOS ARRANJOS DE RESISTÊNCIA DOS TRABALHADORES DE APPS EM NATAL (RN)
Capitalismo de Plataforma; Comunicação Sindical; Uberização
Nos últimos trinta anos, ocorreram transformações significativas nas relações de trabalho, no sindicalismo e na própria comunicação sindical (Giannotti, 2014). O avanço do neoliberalismo e do chamado capitalismo de plataforma (Srnicek, 2017; Scholz, 2017; Kalil, 2020) expandiu a informalidade, fragmentou as organizações da classe trabalhadora e produziu um proletariado da era digital ainda mais precarizado (Antunes, 2020). Sob os efeitos da plataformização do trabalho (Grohmann, 2020), uma parcela importante da classe trabalhadora começou a experimentar novos arranjos de luta sindical, a partir da convergência midiática (Jenkins, 2009; Canclini, 2008; Jost, 2011) e das possibilidades de existir e lutar também em ambientes digitais. Diante deste cenário, buscamos entender como as organizações de trabalhadores plataformizados utilizam as novas tecnologias para se auto-organizar e comunicar suas resistências. Para tanto, esta pesquisa propõe analisar as estratégias e os processos de comunicação desenvolvidos por entregadores e motoristas de aplicativos em Natal/RN, entre 2020 e 2025, problematizando as transformações e os desafios sob o capitalismo de plataforma. A investigação tem como foco o grupo de moto entregadores Galera da Pressão (GDP); o Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transportes do Estado do Rio Grande do Norte (SINTAT/RN); a Associação de Trabalhadores de Aplicativos por Moto e Bike de Natal e Região Metropolitana (ATAMB) e a Associação Voz dos Aplicativos Potiguar (AVAP/RN).