MEMEATIVISMO: PARTICIPAÇÃO SOCIAL E ENGAJAMENTO POLÍTICO NA INTERNET DURANTE O GOVERNO BOLSONARO
Meme; ativismo; humor político; cultura pop; produção de sentido.
Os memes fazem parte do cotidiano do internauta brasileiro. O contato com esse conteúdo se dá especialmente por meio de redes sociais digitais. Eles circulam e se espalham entre usuários e são inúmeros os perfis e páginas criados exclusivamente para publicação de memes, alavancando expressivo número de seguidores, comentários, curtidas e compartilhamentos. Ainda que o termo “meme” tenha sido popularizado com estudos da memética para designar algo diferente do entendimento de hoje, tal terminologia foi ressignificada para “meme de internet”. Este trabalho se propõe a entender como os memes de internet retrataram o primeiro ano de governo Bolsonaro. A partir das seguintes questões-problema: qual foi o papel desses memes? Qual narrativa eles contam? e como eles atuaram? Para tanto, é realizada uma análise quantitativa e qualitativa de conteúdo, fundamentada por Bardin (2008), aplicada a um corpus de pesquisa composto por memes de internet, retirados de páginas e perfis humorísticos no Facebook e Instagram, postados em 2019, que criticaram o então presidente Jair Bolsonaro, aspectos de sua gestão e figuras ligadas ao governo. A hipótese central é que a produção e consumo desses memes funcionaram como forma de resistência dos que estavam insatisfeitos com o governo através do memeativismo, tipo de ativismo criativo que tem o humor satírico como ferramenta, aproveitando a boa aceitação que o gênero meme possui entre a população geral e tendo as mídias digitais, a internet e as redes sociais como ambiente propício para circulação de conteúdo. A fundamentação teórica se dá com estudos sobre comicidade e humor, de Alberti (2002), Bergson (1983), Minois (2003) e Propp (1992); memes e memética, embasado por Blackmore (2000), Chagas (2020), Dawkins (2007), e Shifman (2013); e ativismos, segundo Braighi; Câmara (2018), Cardon; Granjon (2010), Carpentier (2017), Downing (2002) e Gentilli (2005). Os resultados apontam que o meme atuou como importante dispositivo de resistência do internauta diante de questões políticas e sociais do governo. Recursos como humor, sátira, remixagem, intertextualidade e cultura pop serviram para engajar a população menos propensa a se interessar por política de maneira mais leve e sutil. Os memes foram usados como recurso para o cidadão manifestar opinião sobre Bolsonaro e seu governo no ciberespaço.