Os Caminhos do Além de Seti I: o Espaço Funerário da KV17 (Egito Antigo, XIX Dinastia,
c. 1306-1290 A.E.C.)
Egito Antigo; Reino Novo; XIX Dinastia; Espaço Funerário; Tumba de Seti I (KV17); Teoria
do Engajamento Material.
Esta Tese investiga o Espaço Funerário real do início da XIX Dinastia a partir da tumba de
Seti I (KV17), construída no Vale dos Reis, por trás da montanha da margem ocidental de
Tebas, atual Luxor, Egito. A pesquisa, baseada na nossa atualização sobre a Teoria do
Engajamento Material, analisa os diversos discursos funerários presentes nesse espaço como
um recurso cognitivo, material e histórico em que as crenças do período foram organizadas
em narrativas que integram elementos estruturais, iconográficos e textuais. Cada um dos
discursos foi traduzido para o português e analisados nessa Tese. O Amduat organiza a
jornada solar noturna e a lógica processual do Além, os Portões regulam acessos,
transformações e temporalidades, a Litania de Rê amplia as formas de manifestação divina e
a mobilidade do morto, a Vaca Celeste reorganiza o cosmos após o massacre e redefine as
relações entre poder, ordem e violência, e o Texto Astronômico insere o faraó no céu,
garantindo sua permanência entre ciclos visíveis e invisíveis do tempo. Cada discurso
funerário define formas específicas de circulação, conhecimento e agência, articulando
visões de tempo, espaço e eternidade. A nossa tese é que esses textos constroem um Além
dinâmico, onde a escrita, as imagens e a estrutura são fundamentais e associadas à
espacialidade e ao ritual, que evidenciam a pluralidade e a complementaridade dos caminhos
do Além. Separamos essa Tese em três volumes: o primeiro possui sete capítulos de análises
desse Espaço Funerário; o segundo é o catálogo de todas as paredes da tumba de Seti I; o
terceiro são os discursos funerários traduzidos para o português (Amduat, Portões, Vaca
Celeste, Litania de Rê, Ritual de Abertura de Boca, Litania do Olho de Hórus e Texto
Astronômico). A tumba de Seti I é, dessa forma, compreendida como um verdadeiro mapa
do Além, um espaço ativo e performativo no qual o faraó jamais cessa de caminhar, conhecer
e existir, sustentando uma eternidade construída pela articulação entre múltiplos discursos
funerários.