USO, PRESENÇA E SENTIDOS: a cartografia visual de Marcelo D’Salete e a construção de um novo espaço de negritude
Negritude. Quadrinhos brasileiros. Marcelo D’Salete. Representação. Discurso.
Esta dissertação propõe uma reflexão sobre os quadrinhos brasileiros contemporâneos como espaços de enunciação e afirmação da negritude, a partir da obra do artista Marcelo D’Salete. Historicamente marcada por apagamentos e estereótipos racializados, a linguagem dos quadrinhos no Brasil vem sendo ressignificada por vozes negras que, ao ocupar esse campo, transformam-no em território de memória, resistência e reexistência. O objetivo central é compreender se a cena atual dos quadrinhos pode ser interpretada como um novo espaço de negritude – não apenas enquanto representatividade, mas como gesto político, estético e epistemológico de ocupação simbólica. Para tanto, realiza-se uma análise crítica da graphic novel Angola Janga: uma história de Palmares, articulando os elementos visuais, narrativos e discursivos da obra às questões históricas e identitárias que ela convoca. A pesquisa adota uma abordagem que integra análise do discurso, leitura semiótica e crítica da representação, com ênfase na relação entre linguagem, memória e construção de subjetividades. Compõe ainda o corpus desta dissertação uma entrevista com o próprio autor, que oferece subsídios para compreender seu percurso criativo e os sentidos políticos de sua produção. Conclui-se que a obra de Marcelo D’Salete não apenas reinscreve a história da resistência negra no Brasil, mas também firma os quadrinhos como um espaço de negritude – um lugar de fala, escuta e disputa por outras memórias e outras formas de existir.