O Campo Maçônico na Província do Rio Grande do Norte: a atuação de comerciantes, bacharéis, fazendeiros, militares e padres na Maçonaria e na política entre os Anos de 1867-1875
Maçonaria; Campo Maçônico; Rio Grande do Norte; Política; Imprensa
A Maçonaria foi uma das instituições presentes na sociedade do Oitocentos, tendo uma atuação comprovada na vida política e social brasileira. A Ordem maçônica no Brasil configurou-se como um campo de interseção, ao reunir e aproximar homens de diversas visões políticas e sociais, e por meio de suas características próprias contribuiu para articular o diálogo e favorecer os acordos e articulações entre esses homens. As lojas maçônicas eram compostas por bacharéis, comerciantes, fazendeiros, militares e padres que se reuniam, periodicamente, sob a proteção do segredo e dos juramentos da ordem, de modo a poder atuar com maior liberdade política naquela sociedade monárquica. No Rio Grande do Norte, a primeira loja maçônica foi fundada em 1836, tendo como membros fazendeiros, bacharéis, militares e padres, ligados a grupos políticos antagônicos na província, e com atuação nos campos da educação, imprensa, justiça, administração provincial e muitos deles com mandatos de deputados provinciais. Ao ocupar esses espaços faziam política e utilizavam dos meios disponíveis para manter ou melhorar as suas posições nesses campos, de modo a conquistar o domínio dos campos, a fim de aumentar o seu poder político na província. Na segunda metade da década de 1860, a Maçonaria do Rio Grande do Norte vivenciou um momento de fortalecimento, com a fusão de duas vertentes antagônicas que se uniram e fundaram a Loja Maçônica 21 de Março, com mais de 50 membros atuantes naquele momento. Essa ação garantiu uma maior coesão ao campo maçônico e uma melhor capacidade para enfrentar o conflito com a Igreja Católica, desencadeada na década seguinte e conhecida como a “Questão Religiosa”. E foi durante a primeira metade da década de 1870, que se identifica uma importante presença de maçons em diversos campos da sociedade, inclusive estando em posições de domínio do campo político e da imprensa, e utilizando esse poder para fortalecer as suas redes e articulações, que eram uma das grandes forças da organização maçônica no século XIX. Desta feita, o Campo Maçônico configura-se como um campo social e um campo de poder na província do Rio Grande do Norte, de modo a contribuir com o fortalecimento de grupos políticos e familiares em posições de poder, tais como a presidência da Assembleia Provincial, vice-presidência da província, juízes municipais, promotores, chefes de polícia, diretor de instrução, entre outros cargos na administração provincial.