SALVAGUARDAR O PASSADO, EMOLDURAR O PRESENTE: A FORMAÇÃO DO ACERVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE (1902-1907)
história cultural; Rio Grande do Norte; IHGRN; arquivo; intelectuais
No alvorecer do século XX, letrados vinculados ao circuito político, intelectual e econômico do Rio Grande do Norte passaram a se dedicar à reunião de documentos que se encontravam dispersos em acervos do Estado e do Brasil. Congregados no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), instalado em Natal em 29 de março de 1902, esses intelectuais estabeleceram estratégias destinadas a “colligir, methodizar, archivar e publicar” documentos relativos ao passado norte-rio-grandense. Por meio dessas iniciativas, buscaram fortalecer os argumentos mobilizados em defesa da causa potiguar na arena jurídica, inscrever a trajetória histórica do Rio Grande do Norte na majestosa e impressionante tela de Clio, ampliar redes de sociabilidade por intermédio do quadro de sócios da instituição e, sobretudo, constituir um acervo voltado à salvaguarda do passado estadual. É no âmbito da investigação acerca da formação desse acervo que se desenvolve a presente dissertação. Ao mobilizar a chave teórica proposta por Aleida Assmann (2011), o acervo do IHGRN é compreendido como um espaço da recordação, constituído a partir da interação entre memória funcional e memória de armazenamento. A partir dessa perspectiva, busca-se analisar o processo de formação do acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte entre os anos de 1902 e 1907. Para tanto, foram cotejadas diferentes fontes documentais, entre as quais se destacam as Revistas do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, com enfoque nas atas das sessões ordinárias, extraordinárias e de assembleia geral do Instituto, os Actos Legislativos e Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, as Mensagens do Governador do Estado e o jornal A República. Argumenta-se que o uso e a produção de um acervo no interior de um instituto criado com o propósito de fomentar a escrita da história do Rio Grande do Norte, no início do século XX, contribuíram para a gestação de uma cultura política republicana articulada aos interesses da elite dirigente do estado, notadamente da organização familiar Albuquerque Maranhão.