AS PELES DA CIDADE: O ESPAÇO URBANO DE KLEBER MENDONÇA FILHO EM ENJAULADO (1997), RECIFE FRIO (2009) E AQUARIUS (2016)
História e Espaço; Kleber Mendonça Filho; Cinema Brasileiro; Filmes de Prédio.
Esta pesquisa investiga as relações entre espaço, cinema e memória no cinema de Kleber Mendonça Filho entre 1997 e 2016. A problemática que a mobilizou consiste em analisar de quais os condicionantes históricos da forma como os espaços urbanos foram apropriados no cinema brasileiro do diretor pernambucano, em especial nos filmes Enjaulado (1997), Recife Frio (2009) e Aquarius (2016). A investigação trabalha com as formas cinematográficas produzidas a partir do processo de verticalização na cidade do Recife/PE, uma vez que a transformação do espaço urbano recifense envolveu a verticalização urbana, no transcurso das últimas décadas, contempladas pelos filmes selecionados. Foi realizada uma contextualização da obra de Mendonça Filho na recente produção cinematográfica nacional, em geral, e, pernambucana, em particular, bem como as recentes mudanças urbanas no Brasil contemporâneo, em especial, a gentrificação e a verticalização. O quadro teórico articulou, a partir da perspectiva da geografia cultural e do urbanismo para compreender os processos de gentrificação no sul global, especialmente focando na cidade do Recife; a noção de operação cinematográfica; e as propostas dos estudos decoloniais. A dinâmica cultural que emerge, portanto, evidencia uma lógica cultural local/global, uma cidade que é apropriada pelo cinema a partir da maneira como processos globais de urbanização (gentrificação e verticalização) realizam-se como realidades locais. Os filmes, neste caso, são registros de experiências e práticas urbanas e significações de uma cidade do Sul Global.