Um homem de carne no papel escrito: Lima Barreto e a escrita do corpo, Rio de Janeiro (1900-1922).
Corpo; Espaço; Sensibilidade; História
Esta tese se propõe a analisar os debates levantados sobre a produção de corporeidades do escritor brasileiro Afonso Henriques de Lima Barreto no decorrer de sua produção escrita e confessional. Tal aspecto permite visualizar a organização do espaço-corporal do Rio de Janeiro durante a Primeira República no Brasil (1889-1930). O objetivo desta pesquisa é apresentar como a capacidade de observação expressa no discurso barretino, especialmente em suas criações literárias e nos trabalhos dirigidos à imprensa carioca, foi mobilizada pelas experiências sensoriais. Por meio da visão, do tato, do cheiro, do paladar e da audição, Lima Barreto alcançou dois feitos importantes: ser arremessado ao mundo e criar consciência e memórias sobre os usos dos corpos. Circunstância que tornou evidente a importância de narrar, pela pena, as texturas das carnes dos homens e mulheres de sua época e, sobremodo, expor as formas de seu eu fisiológico. No geral, há uma lacuna — ou pouco foi desenvolvido — em relação a uma crítica apurada das emoções envolvidas na produção barretiana, o que resultou no emudecimento de seu corpo, de seu arrebatamento. Essa posição situa o problema central desta pesquisa: evidenciar as rebeliões da carne na escrita barretiana a partir das experiências sensoriais que ganharam forma em sua fortuna crítica e literária. Desse modo, ao fabricar múltiplas formas de ver e dizer o corpo, Barreto revela como os espaços foram agente ativos na modulação de corporeidades.